O pós-eleições, e da vitória de Tiririca como o deputado federal mais votado do país, continuou servindo de piada a todos nós brasileiros, ao contrário da ilusão de muitos eleitores. Não que Dilma não dará continuidade ao governo medíocre realizado por Lula, uma gestão, reitero dizer, ainda menos pior que os oito anos tucanos, mas no que depender das notícias provenientes do ex-comediante devemos ter material de sobra para o riso.
O agora parlamentar Francisco Everardo Oliveira Silva foi escolhido para integrar a comissão de educação e cultura da câmara. A informação foi confirmada no último dia 25 pelo líder de seu partido, o PR ou Partido da República, na Câmara, Lincoln Portela, que alegou o “fato de [Tiririca] ser um humorista de êxito no Brasil”, além, é claro, de ser “uma pessoa alegre e um ótimo interlocutor junto à sociedade”.
Agora coloquemos os fatos na mesa. Desde quando o trabalho humorístico do ex-palhaço e atual deputado é bem-sucedido? Membro do depauperado programa Show do Tom, uma atração quase que degradante, que não apresenta nenhum tipo de humor crítico e muito pelo contrário: o televisivo só tende a apresentar cenas bizarras e personagens “diferentes”, se é que vocês me entendem, para arrancar risadas de um público intelectualmente menos favorecido.
E a questão de Tiririca ser um orador de sucesso no nosso país é justamente fruto dessa trajetória no mínimo discutível desse cidadão na televisão brasileira. Eleito graças a pessoas que acompanham seu trabalho, logo, como já mencionei acima, indivíduos dos quais arrancar risadas é mais fácil, ou por outras que realizaram erroneamente o voto de protesto, sua campanha grotesta foi favorecida pelo talvez momento de maior revolta dos brasileiros em relação à política.
Ou seja, Vª Exª não tem condições alguma, no meu ponto de vista, de representar bem nossa sociedade no que pauta à educação e à cultura. A não ser que queiramos ouvir nas escolas do país crianças cantando “Florentina Florentina / Florentina de Jesus / Não sei se tu me amas / Pra que tu me seduz?”...
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Machismo... masculino só na impressão, por Riverman
As mulheres passaram o final do século XIX e grande parte do século XX lutando pela igualdade entre os sexos. Queimaram sutiãs em praças públicas, organizaram passeatas, tudo isso visando a uma melhora de suas condições, de meras donas de casa, ou trabalhadoras mal remuneradas, para uma vida profissional sem barreiras, sem limites ao alcance do sucesso.
Não discordo disso, e muito pelo contrário: todos devem, sim, só de acordo com suas capacidades, independetemente de etnia, de credo e de ser macho ou fêmea, ter direito a lutar pelos seus sonhos e seus anseios.
Entretanto, brigar parcialmente por direitos é, para mim, uma covardia. Ou seja, na hora de batalhar por aquilo que lhas convinha as mulheres não impuseram barreiras. Mas na hora de assumir os pontos negativos dessas conquistas elas pularam do barco e, em pleno século XXI, em uma sociedade pós-moderna, onde os tabus do racionalismo quase caíram de quatro a uma sociedade sem ideologias e sem uma luz a seguir, elas continuam agindo como agiam antes dos motins femininos dos últimos dois séculos.
Por que a obrigação de flertar e de tomar a iniciativa quando se trata de interesses carnais tem de partir do homem? Por que o homem tem que continuar se humilhando – podem dizer que o termo é pesado, mas em algumas situações é quase perto disso o que acontece – para que um possível relacionamento sexual ocorra algumas horas, ou alguns minutos, depois?
Em uma população predominantemente feminina, números do IBGE apontam 5, 1 milhões de mulheres mais do que o número de pessoas do sexo masculino na população do Brasil, o artigo de luxo num envolvimento heterossexual, por incrível que pareça, é aquele que possui o pênis ou, melhor dizendo, o homem.
Além do mais, e fazendo uso de uma linguagem coloquial ao extremo, temos de estar de acordo com o que diz o blogger Felipe Neto em um dos vídeos do seu famoso canal do Youtube, o Não Faz Sentido: “mulher também se masturba”.
Caros companheiros de cueca, nos demos um pouco mais de valor, seja por questões de contradição no discurso feminino – igualdade em termos -, seja por questões estatísticas – é provado que somos mais raros que as fêmeas humanas em nosso país ou, até mesmo, por questões de prazer – seguindo o raciocínio do já citado Neto, elas também “têm orgasmos”.
Por isso, tiremos essa obrigação de nos sentirmos responsáveis em flertar, imposta por essa sociedade que colocou na cabeça das mulheres que elas devem “se valorizar”, e comecemos a pensar em nós mesmos. Quem sabe o quão não faria bem para nossa auto-estima se começássemos a ser cortejados na rua?
Não discordo disso, e muito pelo contrário: todos devem, sim, só de acordo com suas capacidades, independetemente de etnia, de credo e de ser macho ou fêmea, ter direito a lutar pelos seus sonhos e seus anseios.
Entretanto, brigar parcialmente por direitos é, para mim, uma covardia. Ou seja, na hora de batalhar por aquilo que lhas convinha as mulheres não impuseram barreiras. Mas na hora de assumir os pontos negativos dessas conquistas elas pularam do barco e, em pleno século XXI, em uma sociedade pós-moderna, onde os tabus do racionalismo quase caíram de quatro a uma sociedade sem ideologias e sem uma luz a seguir, elas continuam agindo como agiam antes dos motins femininos dos últimos dois séculos.
Por que a obrigação de flertar e de tomar a iniciativa quando se trata de interesses carnais tem de partir do homem? Por que o homem tem que continuar se humilhando – podem dizer que o termo é pesado, mas em algumas situações é quase perto disso o que acontece – para que um possível relacionamento sexual ocorra algumas horas, ou alguns minutos, depois?
Em uma população predominantemente feminina, números do IBGE apontam 5, 1 milhões de mulheres mais do que o número de pessoas do sexo masculino na população do Brasil, o artigo de luxo num envolvimento heterossexual, por incrível que pareça, é aquele que possui o pênis ou, melhor dizendo, o homem.
Além do mais, e fazendo uso de uma linguagem coloquial ao extremo, temos de estar de acordo com o que diz o blogger Felipe Neto em um dos vídeos do seu famoso canal do Youtube, o Não Faz Sentido: “mulher também se masturba”.
Caros companheiros de cueca, nos demos um pouco mais de valor, seja por questões de contradição no discurso feminino – igualdade em termos -, seja por questões estatísticas – é provado que somos mais raros que as fêmeas humanas em nosso país ou, até mesmo, por questões de prazer – seguindo o raciocínio do já citado Neto, elas também “têm orgasmos”.
Por isso, tiremos essa obrigação de nos sentirmos responsáveis em flertar, imposta por essa sociedade que colocou na cabeça das mulheres que elas devem “se valorizar”, e comecemos a pensar em nós mesmos. Quem sabe o quão não faria bem para nossa auto-estima se começássemos a ser cortejados na rua?
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
"O estigma global", por Riverman
Depois de seis anos atuando pelo São Paulo Futebol Clube, Richarlyson deixou a equipe conhecida como Tricolor Paulista e fechou contrato com o Atlético de Belo Horizonte. O problema de sua saída foram as feridas do preconceito deixadas num jovem atleta que, apesar das contestações, é um dos ídolos mais recentes da história do Time da Fé, graças às conquistas do tricampeonato brasileiro.
Filho de um atacante dos anos 80, Lela, que também foi campeão nacional, só que em 1985 pelo Coritiba, e irmão do também delanteiro Alecsandro, do Internacional de Porto Alegre, Richarlyson começou a viver seu calvário em 2007 a partir das afirmações do ex-diretor do Palmeiras José Cyrillo Júnior de que o atleta só não acertou contrato com o alviverde pois o clube “nunca teria um atleta gay no seu elenco”.
Anteriormente, o jornal Agora noticiou que o programa dominical Fantástico, da Rede Globo, entrevistaria um atleta de uma grande equipe de futebol do país desejoso em assumir sua homosexualidade, o que teria gerado o rastilho para a afirmação dada pelo cartola palmeirense. Possivelmente orientado por advogados, ou até mesmo pela própria agremiação na qual labutava, Richarlyson, segundo dizem, teria se recusado de última hora a dar declarações à atração jornalística, o que teria deixado a emissora descontente com a sua atitude.
Desde então, já conhecido por bambi desde 2002, após declarações do jogador corinthiano Vampeta, o São Paulo passou a estar cada vez mais estigmatizado neste sentido. Mas a questão principal nem reside nessa discussão, que muitas vezes não passam de meras provocações entre trocedores rivais, e sim na perseguição cada vez mais cerrada ao meio-campista, introjetada sempre na imagem da equipe pela qual atuava. Na novela A Favorita, de 2008, da mesma emissora da atração que anunciou a entrevista de “desabafo”, um dos personagens da novela, Orlandinho, interpretado pelo ator Iran Malfitano, era um homossexual e torcedor tricolor no folhetim, de um modo “pra bom entendedor meia palavra basta”.
O pior de tudo isso foi o circo forçosamente armado para que fosse “provada” sua heterossexualidade: até namorada arrumaram ao rapaz, uma modelo que chegou a fazer ensaios a uma revista masculina. Como se isso fosse tornar o já popularmente conhecido Ricky, seu apelido junto aos outros colegas de profissão, melhor ou pior. Como se ser gay ou não fosse uma questão de “vida ou morte”.
Acredito que mesmo participando de brincadeiras como uma organizada pelo programa Pânico na TV, da RedeTV!, na qual uma mulher ao acertar a soma dos números de seis dados lançados beijaria o jogador, seu sofrimento, ao menos no início, deve ter sido dilacerante, principalmente se ele realmente tiver atração por homens, já que a impressão que fica é a de que aos olhos da sociedade ele é um inválido ao esporte “viril e masculino”, segundo afirmou o juiz Manoel Maximiano Junqueira Filho na sentença do processo do futebolista contra o diretor que havia, no mínimo, sido indelicado nas suas considerações.
Que Richarlyson consiga, apesar das marcas, continuar vencendo no futebol e, apesar de não acreditar nisso, seria ideal que esse exemplo se tornasse o único e último no nosso esporte, pois o talento deveria, hoje e sempre, prevalecer sobre o que faz ou o que deixa de fazer um atleta fora das suas obrigações profissionais, desde que isso, obviamente, não afete de maneira negativa a terceiros. E essa crítica também cabendo à nossa toda-poderosa emissora de televisão, que, por pura irresponsabilidade, poderia até mesmo ter destruído a carreira profissional de um jovem esportista.
Filho de um atacante dos anos 80, Lela, que também foi campeão nacional, só que em 1985 pelo Coritiba, e irmão do também delanteiro Alecsandro, do Internacional de Porto Alegre, Richarlyson começou a viver seu calvário em 2007 a partir das afirmações do ex-diretor do Palmeiras José Cyrillo Júnior de que o atleta só não acertou contrato com o alviverde pois o clube “nunca teria um atleta gay no seu elenco”.
Anteriormente, o jornal Agora noticiou que o programa dominical Fantástico, da Rede Globo, entrevistaria um atleta de uma grande equipe de futebol do país desejoso em assumir sua homosexualidade, o que teria gerado o rastilho para a afirmação dada pelo cartola palmeirense. Possivelmente orientado por advogados, ou até mesmo pela própria agremiação na qual labutava, Richarlyson, segundo dizem, teria se recusado de última hora a dar declarações à atração jornalística, o que teria deixado a emissora descontente com a sua atitude.
Desde então, já conhecido por bambi desde 2002, após declarações do jogador corinthiano Vampeta, o São Paulo passou a estar cada vez mais estigmatizado neste sentido. Mas a questão principal nem reside nessa discussão, que muitas vezes não passam de meras provocações entre trocedores rivais, e sim na perseguição cada vez mais cerrada ao meio-campista, introjetada sempre na imagem da equipe pela qual atuava. Na novela A Favorita, de 2008, da mesma emissora da atração que anunciou a entrevista de “desabafo”, um dos personagens da novela, Orlandinho, interpretado pelo ator Iran Malfitano, era um homossexual e torcedor tricolor no folhetim, de um modo “pra bom entendedor meia palavra basta”.
O pior de tudo isso foi o circo forçosamente armado para que fosse “provada” sua heterossexualidade: até namorada arrumaram ao rapaz, uma modelo que chegou a fazer ensaios a uma revista masculina. Como se isso fosse tornar o já popularmente conhecido Ricky, seu apelido junto aos outros colegas de profissão, melhor ou pior. Como se ser gay ou não fosse uma questão de “vida ou morte”.
Acredito que mesmo participando de brincadeiras como uma organizada pelo programa Pânico na TV, da RedeTV!, na qual uma mulher ao acertar a soma dos números de seis dados lançados beijaria o jogador, seu sofrimento, ao menos no início, deve ter sido dilacerante, principalmente se ele realmente tiver atração por homens, já que a impressão que fica é a de que aos olhos da sociedade ele é um inválido ao esporte “viril e masculino”, segundo afirmou o juiz Manoel Maximiano Junqueira Filho na sentença do processo do futebolista contra o diretor que havia, no mínimo, sido indelicado nas suas considerações.
Que Richarlyson consiga, apesar das marcas, continuar vencendo no futebol e, apesar de não acreditar nisso, seria ideal que esse exemplo se tornasse o único e último no nosso esporte, pois o talento deveria, hoje e sempre, prevalecer sobre o que faz ou o que deixa de fazer um atleta fora das suas obrigações profissionais, desde que isso, obviamente, não afete de maneira negativa a terceiros. E essa crítica também cabendo à nossa toda-poderosa emissora de televisão, que, por pura irresponsabilidade, poderia até mesmo ter destruído a carreira profissional de um jovem esportista.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
"A problemática temporal do materialismo histórico", por Riverman
O famoso, ou, até podemos dizer, famigerado, economista alemão Karl Marx adquiriu seu triunfo no mundo acadêmico, dentre outras coisas também fundamentais, ao propor a abolição da mais-valia, que é, superficialmente explicando, a diferença de lucros que o trabalhador sua para ganhar mas que acaba ficando com seus patrões, e que se abolida nos levaria ao comunismo, à partilha de todas as propriedades. A mais-valia é um dos fatores principais de explicação do materialismo histórico, ou seja, questão que explica o porquê a nossa sociedade desde inícios da Revolução Industrial é movida pelo ter.
A partir dessa proposição que mudou muitos parâmetros de pensamento pós-século XIX, e que culminou na Revolução Russa de 1917, muitos autores identificados com as crenças marxistas passaram a expor acerca da luta de classes em tempos mais remotos aos escritos do autor alemão, produção esta executada no calor das transformações político-social-econômicas. O historiador britânico Perry Anderson, por exemplo, crê na existência de insatisfações classistas na Idade Média, e que isso teria contribuído à queda do feudalismo europeu, proposta muito parecida com a colocada pelo francês Pierre Villar.
A húngara Agnes Heller também segue o mesmo caminho na sua obra O Homem Renascentista: a queda de Atenas teria sido fomentada através das diferenças entre as diversas classes existentes naquela cidade-estado, em comparação à derrocada dos florentinos quase 1200 anos depois. É difícil estabelecermos parâmetros de comparação em sociedades totalmente diferentes, apesar de européias. A Idade Média era baseada no trinômio Igreja-nobreza-trabalhadores, e graças a isso altamente estamentada. A Grécia Clássica, por sua vez, era uma sociedade onde a participação política cabia a todos os homens e, mesmo dos mais pobres aos mais ricos, essa igualdade ao menos na Ágora não faria uma revolução explodir no sentido de se modificar a estrutura social helênica.
Claro que o erro de interpretação não é culpa de Marx; afinal, ele foi um contemporâneo e tentou explicar as mudanças através do que acontecia a sua volta. Seus escritos contribuíram sobremaneira aos ganhos do proletariado ao final do seu século de vida e, automaticamente, se tornaram obsoletos em alguns pontos. Mas querer voltar no tempo e explicar outras sociedades com a ótica marxista é que não é bem-vindo.
A partir dessa proposição que mudou muitos parâmetros de pensamento pós-século XIX, e que culminou na Revolução Russa de 1917, muitos autores identificados com as crenças marxistas passaram a expor acerca da luta de classes em tempos mais remotos aos escritos do autor alemão, produção esta executada no calor das transformações político-social-econômicas. O historiador britânico Perry Anderson, por exemplo, crê na existência de insatisfações classistas na Idade Média, e que isso teria contribuído à queda do feudalismo europeu, proposta muito parecida com a colocada pelo francês Pierre Villar.
A húngara Agnes Heller também segue o mesmo caminho na sua obra O Homem Renascentista: a queda de Atenas teria sido fomentada através das diferenças entre as diversas classes existentes naquela cidade-estado, em comparação à derrocada dos florentinos quase 1200 anos depois. É difícil estabelecermos parâmetros de comparação em sociedades totalmente diferentes, apesar de européias. A Idade Média era baseada no trinômio Igreja-nobreza-trabalhadores, e graças a isso altamente estamentada. A Grécia Clássica, por sua vez, era uma sociedade onde a participação política cabia a todos os homens e, mesmo dos mais pobres aos mais ricos, essa igualdade ao menos na Ágora não faria uma revolução explodir no sentido de se modificar a estrutura social helênica.
Claro que o erro de interpretação não é culpa de Marx; afinal, ele foi um contemporâneo e tentou explicar as mudanças através do que acontecia a sua volta. Seus escritos contribuíram sobremaneira aos ganhos do proletariado ao final do seu século de vida e, automaticamente, se tornaram obsoletos em alguns pontos. Mas querer voltar no tempo e explicar outras sociedades com a ótica marxista é que não é bem-vindo.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Por que nosso Deng?, por Riverman
Na coluna de O Estado de São Paulo de Carlos Alberto Sardenberg de 19 de Dezembro, Lula é tido como nosso Mao-Tsé Tung, em referência ao ditador chinês que virou lenda como um grande líder, mesmo ao levar multidões de compatriotas à fome e à miséria, enquanto Fernando Henrique, seu antecessor no cargo Executivo, como Deng Xiaoping, o criador do sistema socialista de mercado, que, mesmo à sombra do primeiro líder vermelho daquele país, deu as bases para que a China se tornasse, hoje em dia, uma potência florescente da economia mundial.
Tudo bem que Lula tem seus deméritos. Não concordo também com sua política abrangente demais no assistencialismo e carente em reformas fiscais, algo que se traduz numa hipócrita intencionalidade de que o presidente fez uma política baseada no apoio às classes média e baixa. Mas dizer que Fernando Henrique Cardoso, através do seu governo privatizador, tornou possível um país que hoje em dia consome mais é uma falácia.
O único ponto positivo de sua administração foi ter conseguido controlar uma política inflacionária quase crônica nos seus 3 primeiros anos - a inicial manutenção artificial de paridade do dólar com o real também gerou reveses à economia nacional, mas era uma medida necessária. De resto, me parece desculpa esfarrapada dizer que ao executar uma política mais aberta ao capital privado não só nacional, mas também estrangeiro, o sociólogo tenha promovido o alicerçamento de uma situação atualmente mais favorável.
Enfim, defender as políticas econômicas peessedebistas parece incoerente num país onde o patrimônio público foi corroído em troca de míseros milhões e bilhões de dólares, e tudo isso em favor do capital estrangeiro. Logicamente que o PT também ficou aquém do que o povo brasileiro esperava, mas nosso ápice consumista, onde todas as classes aumentaram seu poder de consumo, foi alcançado graças a medidas menos ortodoxas do governo lulista, que, como eu já disse, apesar de decepções na área das reduções de impostos, proporcionou mais acessos a produtos antes nunca imaginados a determinadas camadas sociais.
Ou seja, o PT, mesmo que minimamente, recuperou sim o nosso setor econômico, inclusive a moeda, reiterando aí o mérito da social-democracia de ter criado e mantido por alguns anos uma moeda que se coloca longe daqueles ateradores índices inflacionários, que batia na casa dos 4 dólares ao final do governo tucano. Se a intenção de chamar Cardoso de nosso Deng foi por questões desenvolvimentistas, me desculpe, mas, com isso, não devo concordar...
Tudo bem que Lula tem seus deméritos. Não concordo também com sua política abrangente demais no assistencialismo e carente em reformas fiscais, algo que se traduz numa hipócrita intencionalidade de que o presidente fez uma política baseada no apoio às classes média e baixa. Mas dizer que Fernando Henrique Cardoso, através do seu governo privatizador, tornou possível um país que hoje em dia consome mais é uma falácia.
O único ponto positivo de sua administração foi ter conseguido controlar uma política inflacionária quase crônica nos seus 3 primeiros anos - a inicial manutenção artificial de paridade do dólar com o real também gerou reveses à economia nacional, mas era uma medida necessária. De resto, me parece desculpa esfarrapada dizer que ao executar uma política mais aberta ao capital privado não só nacional, mas também estrangeiro, o sociólogo tenha promovido o alicerçamento de uma situação atualmente mais favorável.
Enfim, defender as políticas econômicas peessedebistas parece incoerente num país onde o patrimônio público foi corroído em troca de míseros milhões e bilhões de dólares, e tudo isso em favor do capital estrangeiro. Logicamente que o PT também ficou aquém do que o povo brasileiro esperava, mas nosso ápice consumista, onde todas as classes aumentaram seu poder de consumo, foi alcançado graças a medidas menos ortodoxas do governo lulista, que, como eu já disse, apesar de decepções na área das reduções de impostos, proporcionou mais acessos a produtos antes nunca imaginados a determinadas camadas sociais.
Ou seja, o PT, mesmo que minimamente, recuperou sim o nosso setor econômico, inclusive a moeda, reiterando aí o mérito da social-democracia de ter criado e mantido por alguns anos uma moeda que se coloca longe daqueles ateradores índices inflacionários, que batia na casa dos 4 dólares ao final do governo tucano. Se a intenção de chamar Cardoso de nosso Deng foi por questões desenvolvimentistas, me desculpe, mas, com isso, não devo concordar...
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
"Tem importância sim", por Riverman
Para muitos, Noam Chomsky, o gênio da lingüística que revolucionou sua área ao estudara gramática generativa transformacional, tem apenas um quê de conspirador quando passou a publicar obras relacionadas à política: escritos infanto-juvenis, que, segundo seus críticos, são editados apenas para atender um segmento mais interessado em romances do que em obras de caráter científico ou melhor apuradas em seu conteúdo.
Apesar desse rótulo, o escritor norte-americano, para mim, é um dos críticos mais lúcidos dos empreendimentos, principalmente os da área das relações externas, de seu próprio país. Suas obras realmente soam como algo hecatômbico, a partir de seus títulos: O lucro ou as pessoas? e 11 de Setembro são nomenclaturas que realmente fazem o leitor ter uma reflexão inicial de que o livro tem o intuito de ser mais bombástico do que sério.
Porém, em suas páginas, Chomsky mostra que não está para brincadeira: através de apurações principalmente em veículos de imprensa, demonstra a verdadeira face dos EUA, a de um país que faz tudo para se manter no topo em detrimento de quem o desafia. Logicamente que grande parte dessas intenções permanece obscura, mas em seus escritos o lingüista demonstra que no próprio jornalismo de massa, através de declarações que às vezes soam como instrumentos políticos, os líderes do Tio Sam já são capazes de nos abastecer de aperitivos dos seus desejos hegemônicos.
Como um exemplo dessa dialética discursiva basta citarmos o terrorismo: enquanto que os atentados já causados por grupos fundamentalistas islâmicos são tratados sob este rótulo, as ações lideradas pelos norte-americanos, principalmente na América Latina, onde suas intervenções causavam milhares de mortes, são tidas como formas de combate à selvageria e à impunidade e de implantação da democracia. Mas que democracia é essa que, ao invés de levar a paz aos habitantes, injeta uma carnificina em determinada sociedade?
Claro que através de ensaios, Chomsky deixa suas publicações com uma linguagem mais leve, que atraia mais facilmente leitores leigos, ao contrário de alguns maçantes textos acadêmicos, que visam a se perpetuar em meios freqüentados por professores, estudantes e intelectuais. Mas dizer que estes escritos são meramente leituras românticas e conspiratórias é absurdo perto do conteúdo das obras chomskianas. Aliás, até os rótulos, como marxismo, freudianismo, são rechaçados pelo autor, que claramente deu e ainda dá a sua contribuição, não só ao mundo lingüístico, mas também ao político.
Apesar desse rótulo, o escritor norte-americano, para mim, é um dos críticos mais lúcidos dos empreendimentos, principalmente os da área das relações externas, de seu próprio país. Suas obras realmente soam como algo hecatômbico, a partir de seus títulos: O lucro ou as pessoas? e 11 de Setembro são nomenclaturas que realmente fazem o leitor ter uma reflexão inicial de que o livro tem o intuito de ser mais bombástico do que sério.
Porém, em suas páginas, Chomsky mostra que não está para brincadeira: através de apurações principalmente em veículos de imprensa, demonstra a verdadeira face dos EUA, a de um país que faz tudo para se manter no topo em detrimento de quem o desafia. Logicamente que grande parte dessas intenções permanece obscura, mas em seus escritos o lingüista demonstra que no próprio jornalismo de massa, através de declarações que às vezes soam como instrumentos políticos, os líderes do Tio Sam já são capazes de nos abastecer de aperitivos dos seus desejos hegemônicos.
Como um exemplo dessa dialética discursiva basta citarmos o terrorismo: enquanto que os atentados já causados por grupos fundamentalistas islâmicos são tratados sob este rótulo, as ações lideradas pelos norte-americanos, principalmente na América Latina, onde suas intervenções causavam milhares de mortes, são tidas como formas de combate à selvageria e à impunidade e de implantação da democracia. Mas que democracia é essa que, ao invés de levar a paz aos habitantes, injeta uma carnificina em determinada sociedade?
Claro que através de ensaios, Chomsky deixa suas publicações com uma linguagem mais leve, que atraia mais facilmente leitores leigos, ao contrário de alguns maçantes textos acadêmicos, que visam a se perpetuar em meios freqüentados por professores, estudantes e intelectuais. Mas dizer que estes escritos são meramente leituras românticas e conspiratórias é absurdo perto do conteúdo das obras chomskianas. Aliás, até os rótulos, como marxismo, freudianismo, são rechaçados pelo autor, que claramente deu e ainda dá a sua contribuição, não só ao mundo lingüístico, mas também ao político.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
"Circo eleitoral brasileiro", por Riverman
Meus caros, não só o ilustre Tiririca foi figura de fundamental importância nestas eleições, que devem entrar para a História como as que tiveram o maior número de candidatos espalhafatosos, ao menos em âmbito federal. Mulher Pêra, Maguila, Ronaldo Ésper, entre outros, deram também seus shows nos horários eleitorais e ganharam mais 15 minutos de fama.
Porém, quem melhor ganhou o seu quarto, aliás, palavra bastante pertinente à sujeita, de hora de reconhecimento, e para mim a maior personagem dos momentos pré-pleito, outro verbete perigoso se considerarmos a pessoa em destaque e se esquecermos da frágil letra l, foi a atriz pornô Cameron Brasil.
Sósia tupiniquim da atriz estadunidense Cameron Díaz, daí seu nome artístico, sua propaganda tinha alta conotação sexual: além do lema “vote com prazer” e do número representado pela seqüência 1969, com os dois últimos algarismos sendo proferidos com bastante sensualidade pela pornógrafa, em um dos seus reclames Cameron é exibida trajando meia-calça e lingerie numa lascívia política, ao menos tornada pública, nunca antes vista na História deste país, só para quase parafrasear nosso ainda, ou já não mais, presidente Lula.
Enfim, pela primeira vez a tragicomédia esteve completa, já que vimos tudo de pavoroso e, ao mesmo tempo, risível nas chamadas eleitorais brasileiras de 2010: palhaços, funkeiras, ex-pugilistas que mugem ao invés de falar - e é aí usual o “ao invés de”, pois o verdadeiro contrário de “falar” não é “se calar”, mas sim tentar se expressar como um ruminante.
Depois desse show de horrores continuo com a mesma certeza: na visão de Brasília os palhaços e funkeiros continuamos sendo nós, dos quais eles riem e os quais fazem dançar o ano todo, independentemente de eleições. E como conclusão digo: tenha paciência, já que o espetáculo para 2014 promete ainda mais. E ganha um doce quem acertar a novidade.
Porém, quem melhor ganhou o seu quarto, aliás, palavra bastante pertinente à sujeita, de hora de reconhecimento, e para mim a maior personagem dos momentos pré-pleito, outro verbete perigoso se considerarmos a pessoa em destaque e se esquecermos da frágil letra l, foi a atriz pornô Cameron Brasil.
Sósia tupiniquim da atriz estadunidense Cameron Díaz, daí seu nome artístico, sua propaganda tinha alta conotação sexual: além do lema “vote com prazer” e do número representado pela seqüência 1969, com os dois últimos algarismos sendo proferidos com bastante sensualidade pela pornógrafa, em um dos seus reclames Cameron é exibida trajando meia-calça e lingerie numa lascívia política, ao menos tornada pública, nunca antes vista na História deste país, só para quase parafrasear nosso ainda, ou já não mais, presidente Lula.
Enfim, pela primeira vez a tragicomédia esteve completa, já que vimos tudo de pavoroso e, ao mesmo tempo, risível nas chamadas eleitorais brasileiras de 2010: palhaços, funkeiras, ex-pugilistas que mugem ao invés de falar - e é aí usual o “ao invés de”, pois o verdadeiro contrário de “falar” não é “se calar”, mas sim tentar se expressar como um ruminante.
Depois desse show de horrores continuo com a mesma certeza: na visão de Brasília os palhaços e funkeiros continuamos sendo nós, dos quais eles riem e os quais fazem dançar o ano todo, independentemente de eleições. E como conclusão digo: tenha paciência, já que o espetáculo para 2014 promete ainda mais. E ganha um doce quem acertar a novidade.
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