E a minha certeza se confirmou: o estádio do Corinthians, que seria a sede paulista da Copa das Confederações, não ficará pronto até 2013. Com isso, a maior cidade do país perde não só o direito de ter uma sede para o campeonato laboratório do Mundial, mas também corre sérios riscos de não abrigar a própria Copa. Contudo, no final das contas, e infelizmente, o dinheiro público vai dar uma "mãozinha" às obras do futuro Itaquerão.
Aliás, Natal também não terá praça esportiva à competição que reúne os campeões continentais e também estará fora da lista de cidades. A revista Veja desta semana carrega como manchete de capa justamente a lerdeza das reformas, modernizações e construções dos estádios brasileiros ao principal evento futebolístico do mundo, a ser jogado em terras tupiniquins em 2014, cravando que, sob o atual ritmo, eles só ficariam prontos em 2028. Ou seja, as minhas "visões" apocalípticas têm se concretizado não so em relação ao mais novo reduto paulistano do esporte bretão...
Mas, brasileiros, fiquem tranquilos. Como eu já disse, o dinheiro público faz qualquer milagre. Afinal, grana, preferencialmente em abundante quantidade, transforma o homem mais feio do mundo em um Reynaldo Gianecchini, ou qualquer outro do gosto da fregueza. Façam também o seguinte, compatriotas: peguem as previsões de gastos do Mundial feitas em 2007, quando a candidatura nacional venceu a única adversária Colômbia, e joguem no lixo. Lembram do Pan do Rio, não? O mesmo, em proporções ainda mais homéricas, já que a "farra" vai se dar do Oiapoque ao Chuí, é o que vai acontecer às finanças que vão patrocinar o evento futebolístico.
E, meus caros, não se iludam com aqueles clichês do "a estrutura vai ficar", "todas as praças esportivas pertencem ao povo": me aponte na Cidade Maravilhosa alguma unidade utilizada como local de disputa esportiva em 2007 que a população carioca se utiliza livremente de seus recursos? Ou, sendo mais específico, quem foi o responsável pela absurda licitação feita para que o Botafogo arrendasse o estádio Engenhão, que colocou o alvinegro à frente de sua administração por 30 anos? E tudo saiu mais caro que o previsto...
Portanto, corintianos, fiquem sossegados. O campo de vocês vai sair, o que vai colocar um ponto final às famigeradas chacotas que fazem os rivais santistas, palmeirenses e são-paulinos em relação à falta de uma arena própria. Mas o preço vai ser mais salgado do que nós esperávamos...
sexta-feira, 27 de maio de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Bolsonaro: o mais puro reflexo da sociedade brasileira, por Riverman
Após participar do programa CQC, da TV Bandeirantes, em 28 de março de 2011, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) se tornou alvo de severas críticas da população brasileira, incrédula com os depoimentos estapafúrdios do político, que afirmou na referida entrevista ser uma promiscuidade o envolvimento de uma pessoa branca com uma negra, além de dizer que a homossexualidade é fruto do ambiente no qual a pessoa vive.
Bem, vamos à autópsia dos fatos: de onde vem essa revolta do povo brasileiro, se Bolsonaro já está no seu quinto mandato e há mais de 20 anos na carreira política? Como o povo brasileiro demonstra uma atitude de repúdio às declarações sustentadas em rede nacional se o histórico de polêmicas envolvendo preconceitos e teses de retorno à tortura no Brasil são anteriores a 2010, ano em que o parlamentar conseguiu mais quatro anos no Congresso? Ou seja, depois de mais de duas décadas na Câmara Federal sendo reeleito por quatro oportunidades, fica implícito que o que diz boa parte da população tupiniquim não condiz com o que acontece nas urnas.
A manutenção de Bolsonaro, claramente um conservador, na principal casa legislativa do país é a prova cabal de que ninguém, ou poucos, tem coragem de ser coerente com suas crenças mais íntimas. Blindado pelo decoro, ou por possuir essa coragem que quase ninguém possui, o ex-militar expõe pública e taxativamente suas idéias sem medo de ser feliz.
Não vou aqui condená-lo. Afinal, ele tem todo o direito de dizer o que pensa sem sofrer represálias por isso. Sou inclusive contrário à ação de alguns colegas seus que tentaram alterar algumas regras do Conselho de Ética da Câmara para que a cassação de parlamentares se tornasse mais fácil perante alguns casos.
E também digo, assim como Bolsonaro, apesar de acreditar em coisas bastante contrárias, sem medo de ser feliz: concordo com o parlamentar, sim, quando ele é contra a instalação de cotas nas universidades públicas federais. E através de um argumento simples: fica introjetado que o próprio negro se sente inferior ao branco intelectualmente; além do mais, esse papinho de que os afro-brasileiros têm menos condições financeiras, e por isso devem ter privilégios nos meios de seleção, é balela, em um país onde milhares de brancos, e em muitos casos brancos como diz a velha expressão "com o pé na cozinha", também sofrem com o pouco dinheiro no final do mês.
Claro que não me recusaria a ser operado por um cirurgião cotista; afinal, apesar de ter sido aprovado em condições que eu não concordo, ele teve de estudar, e muito, para conseguir seu diploma de médico. Enfim, resumindo: goste ou não goste, o brasileiro é sim hipócrita. E dos bons.
Bem, vamos à autópsia dos fatos: de onde vem essa revolta do povo brasileiro, se Bolsonaro já está no seu quinto mandato e há mais de 20 anos na carreira política? Como o povo brasileiro demonstra uma atitude de repúdio às declarações sustentadas em rede nacional se o histórico de polêmicas envolvendo preconceitos e teses de retorno à tortura no Brasil são anteriores a 2010, ano em que o parlamentar conseguiu mais quatro anos no Congresso? Ou seja, depois de mais de duas décadas na Câmara Federal sendo reeleito por quatro oportunidades, fica implícito que o que diz boa parte da população tupiniquim não condiz com o que acontece nas urnas.
A manutenção de Bolsonaro, claramente um conservador, na principal casa legislativa do país é a prova cabal de que ninguém, ou poucos, tem coragem de ser coerente com suas crenças mais íntimas. Blindado pelo decoro, ou por possuir essa coragem que quase ninguém possui, o ex-militar expõe pública e taxativamente suas idéias sem medo de ser feliz.
Não vou aqui condená-lo. Afinal, ele tem todo o direito de dizer o que pensa sem sofrer represálias por isso. Sou inclusive contrário à ação de alguns colegas seus que tentaram alterar algumas regras do Conselho de Ética da Câmara para que a cassação de parlamentares se tornasse mais fácil perante alguns casos.
E também digo, assim como Bolsonaro, apesar de acreditar em coisas bastante contrárias, sem medo de ser feliz: concordo com o parlamentar, sim, quando ele é contra a instalação de cotas nas universidades públicas federais. E através de um argumento simples: fica introjetado que o próprio negro se sente inferior ao branco intelectualmente; além do mais, esse papinho de que os afro-brasileiros têm menos condições financeiras, e por isso devem ter privilégios nos meios de seleção, é balela, em um país onde milhares de brancos, e em muitos casos brancos como diz a velha expressão "com o pé na cozinha", também sofrem com o pouco dinheiro no final do mês.
Claro que não me recusaria a ser operado por um cirurgião cotista; afinal, apesar de ter sido aprovado em condições que eu não concordo, ele teve de estudar, e muito, para conseguir seu diploma de médico. Enfim, resumindo: goste ou não goste, o brasileiro é sim hipócrita. E dos bons.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Circo eleitoral brasileiro – parte II, por Riverman
O pós-eleições, e da vitória de Tiririca como o deputado federal mais votado do país, continuou servindo de piada a todos nós brasileiros, ao contrário da ilusão de muitos eleitores. Não que Dilma não dará continuidade ao governo medíocre realizado por Lula, uma gestão, reitero dizer, ainda menos pior que os oito anos tucanos, mas no que depender das notícias provenientes do ex-comediante devemos ter material de sobra para o riso.
O agora parlamentar Francisco Everardo Oliveira Silva foi escolhido para integrar a comissão de educação e cultura da câmara. A informação foi confirmada no último dia 25 pelo líder de seu partido, o PR ou Partido da República, na Câmara, Lincoln Portela, que alegou o “fato de [Tiririca] ser um humorista de êxito no Brasil”, além, é claro, de ser “uma pessoa alegre e um ótimo interlocutor junto à sociedade”.
Agora coloquemos os fatos na mesa. Desde quando o trabalho humorístico do ex-palhaço e atual deputado é bem-sucedido? Membro do depauperado programa Show do Tom, uma atração quase que degradante, que não apresenta nenhum tipo de humor crítico e muito pelo contrário: o televisivo só tende a apresentar cenas bizarras e personagens “diferentes”, se é que vocês me entendem, para arrancar risadas de um público intelectualmente menos favorecido.
E a questão de Tiririca ser um orador de sucesso no nosso país é justamente fruto dessa trajetória no mínimo discutível desse cidadão na televisão brasileira. Eleito graças a pessoas que acompanham seu trabalho, logo, como já mencionei acima, indivíduos dos quais arrancar risadas é mais fácil, ou por outras que realizaram erroneamente o voto de protesto, sua campanha grotesta foi favorecida pelo talvez momento de maior revolta dos brasileiros em relação à política.
Ou seja, Vª Exª não tem condições alguma, no meu ponto de vista, de representar bem nossa sociedade no que pauta à educação e à cultura. A não ser que queiramos ouvir nas escolas do país crianças cantando “Florentina Florentina / Florentina de Jesus / Não sei se tu me amas / Pra que tu me seduz?”...
O agora parlamentar Francisco Everardo Oliveira Silva foi escolhido para integrar a comissão de educação e cultura da câmara. A informação foi confirmada no último dia 25 pelo líder de seu partido, o PR ou Partido da República, na Câmara, Lincoln Portela, que alegou o “fato de [Tiririca] ser um humorista de êxito no Brasil”, além, é claro, de ser “uma pessoa alegre e um ótimo interlocutor junto à sociedade”.
Agora coloquemos os fatos na mesa. Desde quando o trabalho humorístico do ex-palhaço e atual deputado é bem-sucedido? Membro do depauperado programa Show do Tom, uma atração quase que degradante, que não apresenta nenhum tipo de humor crítico e muito pelo contrário: o televisivo só tende a apresentar cenas bizarras e personagens “diferentes”, se é que vocês me entendem, para arrancar risadas de um público intelectualmente menos favorecido.
E a questão de Tiririca ser um orador de sucesso no nosso país é justamente fruto dessa trajetória no mínimo discutível desse cidadão na televisão brasileira. Eleito graças a pessoas que acompanham seu trabalho, logo, como já mencionei acima, indivíduos dos quais arrancar risadas é mais fácil, ou por outras que realizaram erroneamente o voto de protesto, sua campanha grotesta foi favorecida pelo talvez momento de maior revolta dos brasileiros em relação à política.
Ou seja, Vª Exª não tem condições alguma, no meu ponto de vista, de representar bem nossa sociedade no que pauta à educação e à cultura. A não ser que queiramos ouvir nas escolas do país crianças cantando “Florentina Florentina / Florentina de Jesus / Não sei se tu me amas / Pra que tu me seduz?”...
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Machismo... masculino só na impressão, por Riverman
As mulheres passaram o final do século XIX e grande parte do século XX lutando pela igualdade entre os sexos. Queimaram sutiãs em praças públicas, organizaram passeatas, tudo isso visando a uma melhora de suas condições, de meras donas de casa, ou trabalhadoras mal remuneradas, para uma vida profissional sem barreiras, sem limites ao alcance do sucesso.
Não discordo disso, e muito pelo contrário: todos devem, sim, só de acordo com suas capacidades, independetemente de etnia, de credo e de ser macho ou fêmea, ter direito a lutar pelos seus sonhos e seus anseios.
Entretanto, brigar parcialmente por direitos é, para mim, uma covardia. Ou seja, na hora de batalhar por aquilo que lhas convinha as mulheres não impuseram barreiras. Mas na hora de assumir os pontos negativos dessas conquistas elas pularam do barco e, em pleno século XXI, em uma sociedade pós-moderna, onde os tabus do racionalismo quase caíram de quatro a uma sociedade sem ideologias e sem uma luz a seguir, elas continuam agindo como agiam antes dos motins femininos dos últimos dois séculos.
Por que a obrigação de flertar e de tomar a iniciativa quando se trata de interesses carnais tem de partir do homem? Por que o homem tem que continuar se humilhando – podem dizer que o termo é pesado, mas em algumas situações é quase perto disso o que acontece – para que um possível relacionamento sexual ocorra algumas horas, ou alguns minutos, depois?
Em uma população predominantemente feminina, números do IBGE apontam 5, 1 milhões de mulheres mais do que o número de pessoas do sexo masculino na população do Brasil, o artigo de luxo num envolvimento heterossexual, por incrível que pareça, é aquele que possui o pênis ou, melhor dizendo, o homem.
Além do mais, e fazendo uso de uma linguagem coloquial ao extremo, temos de estar de acordo com o que diz o blogger Felipe Neto em um dos vídeos do seu famoso canal do Youtube, o Não Faz Sentido: “mulher também se masturba”.
Caros companheiros de cueca, nos demos um pouco mais de valor, seja por questões de contradição no discurso feminino – igualdade em termos -, seja por questões estatísticas – é provado que somos mais raros que as fêmeas humanas em nosso país ou, até mesmo, por questões de prazer – seguindo o raciocínio do já citado Neto, elas também “têm orgasmos”.
Por isso, tiremos essa obrigação de nos sentirmos responsáveis em flertar, imposta por essa sociedade que colocou na cabeça das mulheres que elas devem “se valorizar”, e comecemos a pensar em nós mesmos. Quem sabe o quão não faria bem para nossa auto-estima se começássemos a ser cortejados na rua?
Não discordo disso, e muito pelo contrário: todos devem, sim, só de acordo com suas capacidades, independetemente de etnia, de credo e de ser macho ou fêmea, ter direito a lutar pelos seus sonhos e seus anseios.
Entretanto, brigar parcialmente por direitos é, para mim, uma covardia. Ou seja, na hora de batalhar por aquilo que lhas convinha as mulheres não impuseram barreiras. Mas na hora de assumir os pontos negativos dessas conquistas elas pularam do barco e, em pleno século XXI, em uma sociedade pós-moderna, onde os tabus do racionalismo quase caíram de quatro a uma sociedade sem ideologias e sem uma luz a seguir, elas continuam agindo como agiam antes dos motins femininos dos últimos dois séculos.
Por que a obrigação de flertar e de tomar a iniciativa quando se trata de interesses carnais tem de partir do homem? Por que o homem tem que continuar se humilhando – podem dizer que o termo é pesado, mas em algumas situações é quase perto disso o que acontece – para que um possível relacionamento sexual ocorra algumas horas, ou alguns minutos, depois?
Em uma população predominantemente feminina, números do IBGE apontam 5, 1 milhões de mulheres mais do que o número de pessoas do sexo masculino na população do Brasil, o artigo de luxo num envolvimento heterossexual, por incrível que pareça, é aquele que possui o pênis ou, melhor dizendo, o homem.
Além do mais, e fazendo uso de uma linguagem coloquial ao extremo, temos de estar de acordo com o que diz o blogger Felipe Neto em um dos vídeos do seu famoso canal do Youtube, o Não Faz Sentido: “mulher também se masturba”.
Caros companheiros de cueca, nos demos um pouco mais de valor, seja por questões de contradição no discurso feminino – igualdade em termos -, seja por questões estatísticas – é provado que somos mais raros que as fêmeas humanas em nosso país ou, até mesmo, por questões de prazer – seguindo o raciocínio do já citado Neto, elas também “têm orgasmos”.
Por isso, tiremos essa obrigação de nos sentirmos responsáveis em flertar, imposta por essa sociedade que colocou na cabeça das mulheres que elas devem “se valorizar”, e comecemos a pensar em nós mesmos. Quem sabe o quão não faria bem para nossa auto-estima se começássemos a ser cortejados na rua?
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
"O estigma global", por Riverman
Depois de seis anos atuando pelo São Paulo Futebol Clube, Richarlyson deixou a equipe conhecida como Tricolor Paulista e fechou contrato com o Atlético de Belo Horizonte. O problema de sua saída foram as feridas do preconceito deixadas num jovem atleta que, apesar das contestações, é um dos ídolos mais recentes da história do Time da Fé, graças às conquistas do tricampeonato brasileiro.
Filho de um atacante dos anos 80, Lela, que também foi campeão nacional, só que em 1985 pelo Coritiba, e irmão do também delanteiro Alecsandro, do Internacional de Porto Alegre, Richarlyson começou a viver seu calvário em 2007 a partir das afirmações do ex-diretor do Palmeiras José Cyrillo Júnior de que o atleta só não acertou contrato com o alviverde pois o clube “nunca teria um atleta gay no seu elenco”.
Anteriormente, o jornal Agora noticiou que o programa dominical Fantástico, da Rede Globo, entrevistaria um atleta de uma grande equipe de futebol do país desejoso em assumir sua homosexualidade, o que teria gerado o rastilho para a afirmação dada pelo cartola palmeirense. Possivelmente orientado por advogados, ou até mesmo pela própria agremiação na qual labutava, Richarlyson, segundo dizem, teria se recusado de última hora a dar declarações à atração jornalística, o que teria deixado a emissora descontente com a sua atitude.
Desde então, já conhecido por bambi desde 2002, após declarações do jogador corinthiano Vampeta, o São Paulo passou a estar cada vez mais estigmatizado neste sentido. Mas a questão principal nem reside nessa discussão, que muitas vezes não passam de meras provocações entre trocedores rivais, e sim na perseguição cada vez mais cerrada ao meio-campista, introjetada sempre na imagem da equipe pela qual atuava. Na novela A Favorita, de 2008, da mesma emissora da atração que anunciou a entrevista de “desabafo”, um dos personagens da novela, Orlandinho, interpretado pelo ator Iran Malfitano, era um homossexual e torcedor tricolor no folhetim, de um modo “pra bom entendedor meia palavra basta”.
O pior de tudo isso foi o circo forçosamente armado para que fosse “provada” sua heterossexualidade: até namorada arrumaram ao rapaz, uma modelo que chegou a fazer ensaios a uma revista masculina. Como se isso fosse tornar o já popularmente conhecido Ricky, seu apelido junto aos outros colegas de profissão, melhor ou pior. Como se ser gay ou não fosse uma questão de “vida ou morte”.
Acredito que mesmo participando de brincadeiras como uma organizada pelo programa Pânico na TV, da RedeTV!, na qual uma mulher ao acertar a soma dos números de seis dados lançados beijaria o jogador, seu sofrimento, ao menos no início, deve ter sido dilacerante, principalmente se ele realmente tiver atração por homens, já que a impressão que fica é a de que aos olhos da sociedade ele é um inválido ao esporte “viril e masculino”, segundo afirmou o juiz Manoel Maximiano Junqueira Filho na sentença do processo do futebolista contra o diretor que havia, no mínimo, sido indelicado nas suas considerações.
Que Richarlyson consiga, apesar das marcas, continuar vencendo no futebol e, apesar de não acreditar nisso, seria ideal que esse exemplo se tornasse o único e último no nosso esporte, pois o talento deveria, hoje e sempre, prevalecer sobre o que faz ou o que deixa de fazer um atleta fora das suas obrigações profissionais, desde que isso, obviamente, não afete de maneira negativa a terceiros. E essa crítica também cabendo à nossa toda-poderosa emissora de televisão, que, por pura irresponsabilidade, poderia até mesmo ter destruído a carreira profissional de um jovem esportista.
Filho de um atacante dos anos 80, Lela, que também foi campeão nacional, só que em 1985 pelo Coritiba, e irmão do também delanteiro Alecsandro, do Internacional de Porto Alegre, Richarlyson começou a viver seu calvário em 2007 a partir das afirmações do ex-diretor do Palmeiras José Cyrillo Júnior de que o atleta só não acertou contrato com o alviverde pois o clube “nunca teria um atleta gay no seu elenco”.
Anteriormente, o jornal Agora noticiou que o programa dominical Fantástico, da Rede Globo, entrevistaria um atleta de uma grande equipe de futebol do país desejoso em assumir sua homosexualidade, o que teria gerado o rastilho para a afirmação dada pelo cartola palmeirense. Possivelmente orientado por advogados, ou até mesmo pela própria agremiação na qual labutava, Richarlyson, segundo dizem, teria se recusado de última hora a dar declarações à atração jornalística, o que teria deixado a emissora descontente com a sua atitude.
Desde então, já conhecido por bambi desde 2002, após declarações do jogador corinthiano Vampeta, o São Paulo passou a estar cada vez mais estigmatizado neste sentido. Mas a questão principal nem reside nessa discussão, que muitas vezes não passam de meras provocações entre trocedores rivais, e sim na perseguição cada vez mais cerrada ao meio-campista, introjetada sempre na imagem da equipe pela qual atuava. Na novela A Favorita, de 2008, da mesma emissora da atração que anunciou a entrevista de “desabafo”, um dos personagens da novela, Orlandinho, interpretado pelo ator Iran Malfitano, era um homossexual e torcedor tricolor no folhetim, de um modo “pra bom entendedor meia palavra basta”.
O pior de tudo isso foi o circo forçosamente armado para que fosse “provada” sua heterossexualidade: até namorada arrumaram ao rapaz, uma modelo que chegou a fazer ensaios a uma revista masculina. Como se isso fosse tornar o já popularmente conhecido Ricky, seu apelido junto aos outros colegas de profissão, melhor ou pior. Como se ser gay ou não fosse uma questão de “vida ou morte”.
Acredito que mesmo participando de brincadeiras como uma organizada pelo programa Pânico na TV, da RedeTV!, na qual uma mulher ao acertar a soma dos números de seis dados lançados beijaria o jogador, seu sofrimento, ao menos no início, deve ter sido dilacerante, principalmente se ele realmente tiver atração por homens, já que a impressão que fica é a de que aos olhos da sociedade ele é um inválido ao esporte “viril e masculino”, segundo afirmou o juiz Manoel Maximiano Junqueira Filho na sentença do processo do futebolista contra o diretor que havia, no mínimo, sido indelicado nas suas considerações.
Que Richarlyson consiga, apesar das marcas, continuar vencendo no futebol e, apesar de não acreditar nisso, seria ideal que esse exemplo se tornasse o único e último no nosso esporte, pois o talento deveria, hoje e sempre, prevalecer sobre o que faz ou o que deixa de fazer um atleta fora das suas obrigações profissionais, desde que isso, obviamente, não afete de maneira negativa a terceiros. E essa crítica também cabendo à nossa toda-poderosa emissora de televisão, que, por pura irresponsabilidade, poderia até mesmo ter destruído a carreira profissional de um jovem esportista.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
"A problemática temporal do materialismo histórico", por Riverman
O famoso, ou, até podemos dizer, famigerado, economista alemão Karl Marx adquiriu seu triunfo no mundo acadêmico, dentre outras coisas também fundamentais, ao propor a abolição da mais-valia, que é, superficialmente explicando, a diferença de lucros que o trabalhador sua para ganhar mas que acaba ficando com seus patrões, e que se abolida nos levaria ao comunismo, à partilha de todas as propriedades. A mais-valia é um dos fatores principais de explicação do materialismo histórico, ou seja, questão que explica o porquê a nossa sociedade desde inícios da Revolução Industrial é movida pelo ter.
A partir dessa proposição que mudou muitos parâmetros de pensamento pós-século XIX, e que culminou na Revolução Russa de 1917, muitos autores identificados com as crenças marxistas passaram a expor acerca da luta de classes em tempos mais remotos aos escritos do autor alemão, produção esta executada no calor das transformações político-social-econômicas. O historiador britânico Perry Anderson, por exemplo, crê na existência de insatisfações classistas na Idade Média, e que isso teria contribuído à queda do feudalismo europeu, proposta muito parecida com a colocada pelo francês Pierre Villar.
A húngara Agnes Heller também segue o mesmo caminho na sua obra O Homem Renascentista: a queda de Atenas teria sido fomentada através das diferenças entre as diversas classes existentes naquela cidade-estado, em comparação à derrocada dos florentinos quase 1200 anos depois. É difícil estabelecermos parâmetros de comparação em sociedades totalmente diferentes, apesar de européias. A Idade Média era baseada no trinômio Igreja-nobreza-trabalhadores, e graças a isso altamente estamentada. A Grécia Clássica, por sua vez, era uma sociedade onde a participação política cabia a todos os homens e, mesmo dos mais pobres aos mais ricos, essa igualdade ao menos na Ágora não faria uma revolução explodir no sentido de se modificar a estrutura social helênica.
Claro que o erro de interpretação não é culpa de Marx; afinal, ele foi um contemporâneo e tentou explicar as mudanças através do que acontecia a sua volta. Seus escritos contribuíram sobremaneira aos ganhos do proletariado ao final do seu século de vida e, automaticamente, se tornaram obsoletos em alguns pontos. Mas querer voltar no tempo e explicar outras sociedades com a ótica marxista é que não é bem-vindo.
A partir dessa proposição que mudou muitos parâmetros de pensamento pós-século XIX, e que culminou na Revolução Russa de 1917, muitos autores identificados com as crenças marxistas passaram a expor acerca da luta de classes em tempos mais remotos aos escritos do autor alemão, produção esta executada no calor das transformações político-social-econômicas. O historiador britânico Perry Anderson, por exemplo, crê na existência de insatisfações classistas na Idade Média, e que isso teria contribuído à queda do feudalismo europeu, proposta muito parecida com a colocada pelo francês Pierre Villar.
A húngara Agnes Heller também segue o mesmo caminho na sua obra O Homem Renascentista: a queda de Atenas teria sido fomentada através das diferenças entre as diversas classes existentes naquela cidade-estado, em comparação à derrocada dos florentinos quase 1200 anos depois. É difícil estabelecermos parâmetros de comparação em sociedades totalmente diferentes, apesar de européias. A Idade Média era baseada no trinômio Igreja-nobreza-trabalhadores, e graças a isso altamente estamentada. A Grécia Clássica, por sua vez, era uma sociedade onde a participação política cabia a todos os homens e, mesmo dos mais pobres aos mais ricos, essa igualdade ao menos na Ágora não faria uma revolução explodir no sentido de se modificar a estrutura social helênica.
Claro que o erro de interpretação não é culpa de Marx; afinal, ele foi um contemporâneo e tentou explicar as mudanças através do que acontecia a sua volta. Seus escritos contribuíram sobremaneira aos ganhos do proletariado ao final do seu século de vida e, automaticamente, se tornaram obsoletos em alguns pontos. Mas querer voltar no tempo e explicar outras sociedades com a ótica marxista é que não é bem-vindo.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Por que nosso Deng?, por Riverman
Na coluna de O Estado de São Paulo de Carlos Alberto Sardenberg de 19 de Dezembro, Lula é tido como nosso Mao-Tsé Tung, em referência ao ditador chinês que virou lenda como um grande líder, mesmo ao levar multidões de compatriotas à fome e à miséria, enquanto Fernando Henrique, seu antecessor no cargo Executivo, como Deng Xiaoping, o criador do sistema socialista de mercado, que, mesmo à sombra do primeiro líder vermelho daquele país, deu as bases para que a China se tornasse, hoje em dia, uma potência florescente da economia mundial.
Tudo bem que Lula tem seus deméritos. Não concordo também com sua política abrangente demais no assistencialismo e carente em reformas fiscais, algo que se traduz numa hipócrita intencionalidade de que o presidente fez uma política baseada no apoio às classes média e baixa. Mas dizer que Fernando Henrique Cardoso, através do seu governo privatizador, tornou possível um país que hoje em dia consome mais é uma falácia.
O único ponto positivo de sua administração foi ter conseguido controlar uma política inflacionária quase crônica nos seus 3 primeiros anos - a inicial manutenção artificial de paridade do dólar com o real também gerou reveses à economia nacional, mas era uma medida necessária. De resto, me parece desculpa esfarrapada dizer que ao executar uma política mais aberta ao capital privado não só nacional, mas também estrangeiro, o sociólogo tenha promovido o alicerçamento de uma situação atualmente mais favorável.
Enfim, defender as políticas econômicas peessedebistas parece incoerente num país onde o patrimônio público foi corroído em troca de míseros milhões e bilhões de dólares, e tudo isso em favor do capital estrangeiro. Logicamente que o PT também ficou aquém do que o povo brasileiro esperava, mas nosso ápice consumista, onde todas as classes aumentaram seu poder de consumo, foi alcançado graças a medidas menos ortodoxas do governo lulista, que, como eu já disse, apesar de decepções na área das reduções de impostos, proporcionou mais acessos a produtos antes nunca imaginados a determinadas camadas sociais.
Ou seja, o PT, mesmo que minimamente, recuperou sim o nosso setor econômico, inclusive a moeda, reiterando aí o mérito da social-democracia de ter criado e mantido por alguns anos uma moeda que se coloca longe daqueles ateradores índices inflacionários, que batia na casa dos 4 dólares ao final do governo tucano. Se a intenção de chamar Cardoso de nosso Deng foi por questões desenvolvimentistas, me desculpe, mas, com isso, não devo concordar...
Tudo bem que Lula tem seus deméritos. Não concordo também com sua política abrangente demais no assistencialismo e carente em reformas fiscais, algo que se traduz numa hipócrita intencionalidade de que o presidente fez uma política baseada no apoio às classes média e baixa. Mas dizer que Fernando Henrique Cardoso, através do seu governo privatizador, tornou possível um país que hoje em dia consome mais é uma falácia.
O único ponto positivo de sua administração foi ter conseguido controlar uma política inflacionária quase crônica nos seus 3 primeiros anos - a inicial manutenção artificial de paridade do dólar com o real também gerou reveses à economia nacional, mas era uma medida necessária. De resto, me parece desculpa esfarrapada dizer que ao executar uma política mais aberta ao capital privado não só nacional, mas também estrangeiro, o sociólogo tenha promovido o alicerçamento de uma situação atualmente mais favorável.
Enfim, defender as políticas econômicas peessedebistas parece incoerente num país onde o patrimônio público foi corroído em troca de míseros milhões e bilhões de dólares, e tudo isso em favor do capital estrangeiro. Logicamente que o PT também ficou aquém do que o povo brasileiro esperava, mas nosso ápice consumista, onde todas as classes aumentaram seu poder de consumo, foi alcançado graças a medidas menos ortodoxas do governo lulista, que, como eu já disse, apesar de decepções na área das reduções de impostos, proporcionou mais acessos a produtos antes nunca imaginados a determinadas camadas sociais.
Ou seja, o PT, mesmo que minimamente, recuperou sim o nosso setor econômico, inclusive a moeda, reiterando aí o mérito da social-democracia de ter criado e mantido por alguns anos uma moeda que se coloca longe daqueles ateradores índices inflacionários, que batia na casa dos 4 dólares ao final do governo tucano. Se a intenção de chamar Cardoso de nosso Deng foi por questões desenvolvimentistas, me desculpe, mas, com isso, não devo concordar...
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
"Tem importância sim", por Riverman
Para muitos, Noam Chomsky, o gênio da lingüística que revolucionou sua área ao estudara gramática generativa transformacional, tem apenas um quê de conspirador quando passou a publicar obras relacionadas à política: escritos infanto-juvenis, que, segundo seus críticos, são editados apenas para atender um segmento mais interessado em romances do que em obras de caráter científico ou melhor apuradas em seu conteúdo.
Apesar desse rótulo, o escritor norte-americano, para mim, é um dos críticos mais lúcidos dos empreendimentos, principalmente os da área das relações externas, de seu próprio país. Suas obras realmente soam como algo hecatômbico, a partir de seus títulos: O lucro ou as pessoas? e 11 de Setembro são nomenclaturas que realmente fazem o leitor ter uma reflexão inicial de que o livro tem o intuito de ser mais bombástico do que sério.
Porém, em suas páginas, Chomsky mostra que não está para brincadeira: através de apurações principalmente em veículos de imprensa, demonstra a verdadeira face dos EUA, a de um país que faz tudo para se manter no topo em detrimento de quem o desafia. Logicamente que grande parte dessas intenções permanece obscura, mas em seus escritos o lingüista demonstra que no próprio jornalismo de massa, através de declarações que às vezes soam como instrumentos políticos, os líderes do Tio Sam já são capazes de nos abastecer de aperitivos dos seus desejos hegemônicos.
Como um exemplo dessa dialética discursiva basta citarmos o terrorismo: enquanto que os atentados já causados por grupos fundamentalistas islâmicos são tratados sob este rótulo, as ações lideradas pelos norte-americanos, principalmente na América Latina, onde suas intervenções causavam milhares de mortes, são tidas como formas de combate à selvageria e à impunidade e de implantação da democracia. Mas que democracia é essa que, ao invés de levar a paz aos habitantes, injeta uma carnificina em determinada sociedade?
Claro que através de ensaios, Chomsky deixa suas publicações com uma linguagem mais leve, que atraia mais facilmente leitores leigos, ao contrário de alguns maçantes textos acadêmicos, que visam a se perpetuar em meios freqüentados por professores, estudantes e intelectuais. Mas dizer que estes escritos são meramente leituras românticas e conspiratórias é absurdo perto do conteúdo das obras chomskianas. Aliás, até os rótulos, como marxismo, freudianismo, são rechaçados pelo autor, que claramente deu e ainda dá a sua contribuição, não só ao mundo lingüístico, mas também ao político.
Apesar desse rótulo, o escritor norte-americano, para mim, é um dos críticos mais lúcidos dos empreendimentos, principalmente os da área das relações externas, de seu próprio país. Suas obras realmente soam como algo hecatômbico, a partir de seus títulos: O lucro ou as pessoas? e 11 de Setembro são nomenclaturas que realmente fazem o leitor ter uma reflexão inicial de que o livro tem o intuito de ser mais bombástico do que sério.
Porém, em suas páginas, Chomsky mostra que não está para brincadeira: através de apurações principalmente em veículos de imprensa, demonstra a verdadeira face dos EUA, a de um país que faz tudo para se manter no topo em detrimento de quem o desafia. Logicamente que grande parte dessas intenções permanece obscura, mas em seus escritos o lingüista demonstra que no próprio jornalismo de massa, através de declarações que às vezes soam como instrumentos políticos, os líderes do Tio Sam já são capazes de nos abastecer de aperitivos dos seus desejos hegemônicos.
Como um exemplo dessa dialética discursiva basta citarmos o terrorismo: enquanto que os atentados já causados por grupos fundamentalistas islâmicos são tratados sob este rótulo, as ações lideradas pelos norte-americanos, principalmente na América Latina, onde suas intervenções causavam milhares de mortes, são tidas como formas de combate à selvageria e à impunidade e de implantação da democracia. Mas que democracia é essa que, ao invés de levar a paz aos habitantes, injeta uma carnificina em determinada sociedade?
Claro que através de ensaios, Chomsky deixa suas publicações com uma linguagem mais leve, que atraia mais facilmente leitores leigos, ao contrário de alguns maçantes textos acadêmicos, que visam a se perpetuar em meios freqüentados por professores, estudantes e intelectuais. Mas dizer que estes escritos são meramente leituras românticas e conspiratórias é absurdo perto do conteúdo das obras chomskianas. Aliás, até os rótulos, como marxismo, freudianismo, são rechaçados pelo autor, que claramente deu e ainda dá a sua contribuição, não só ao mundo lingüístico, mas também ao político.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
"Circo eleitoral brasileiro", por Riverman
Meus caros, não só o ilustre Tiririca foi figura de fundamental importância nestas eleições, que devem entrar para a História como as que tiveram o maior número de candidatos espalhafatosos, ao menos em âmbito federal. Mulher Pêra, Maguila, Ronaldo Ésper, entre outros, deram também seus shows nos horários eleitorais e ganharam mais 15 minutos de fama.
Porém, quem melhor ganhou o seu quarto, aliás, palavra bastante pertinente à sujeita, de hora de reconhecimento, e para mim a maior personagem dos momentos pré-pleito, outro verbete perigoso se considerarmos a pessoa em destaque e se esquecermos da frágil letra l, foi a atriz pornô Cameron Brasil.
Sósia tupiniquim da atriz estadunidense Cameron Díaz, daí seu nome artístico, sua propaganda tinha alta conotação sexual: além do lema “vote com prazer” e do número representado pela seqüência 1969, com os dois últimos algarismos sendo proferidos com bastante sensualidade pela pornógrafa, em um dos seus reclames Cameron é exibida trajando meia-calça e lingerie numa lascívia política, ao menos tornada pública, nunca antes vista na História deste país, só para quase parafrasear nosso ainda, ou já não mais, presidente Lula.
Enfim, pela primeira vez a tragicomédia esteve completa, já que vimos tudo de pavoroso e, ao mesmo tempo, risível nas chamadas eleitorais brasileiras de 2010: palhaços, funkeiras, ex-pugilistas que mugem ao invés de falar - e é aí usual o “ao invés de”, pois o verdadeiro contrário de “falar” não é “se calar”, mas sim tentar se expressar como um ruminante.
Depois desse show de horrores continuo com a mesma certeza: na visão de Brasília os palhaços e funkeiros continuamos sendo nós, dos quais eles riem e os quais fazem dançar o ano todo, independentemente de eleições. E como conclusão digo: tenha paciência, já que o espetáculo para 2014 promete ainda mais. E ganha um doce quem acertar a novidade.
Porém, quem melhor ganhou o seu quarto, aliás, palavra bastante pertinente à sujeita, de hora de reconhecimento, e para mim a maior personagem dos momentos pré-pleito, outro verbete perigoso se considerarmos a pessoa em destaque e se esquecermos da frágil letra l, foi a atriz pornô Cameron Brasil.
Sósia tupiniquim da atriz estadunidense Cameron Díaz, daí seu nome artístico, sua propaganda tinha alta conotação sexual: além do lema “vote com prazer” e do número representado pela seqüência 1969, com os dois últimos algarismos sendo proferidos com bastante sensualidade pela pornógrafa, em um dos seus reclames Cameron é exibida trajando meia-calça e lingerie numa lascívia política, ao menos tornada pública, nunca antes vista na História deste país, só para quase parafrasear nosso ainda, ou já não mais, presidente Lula.
Enfim, pela primeira vez a tragicomédia esteve completa, já que vimos tudo de pavoroso e, ao mesmo tempo, risível nas chamadas eleitorais brasileiras de 2010: palhaços, funkeiras, ex-pugilistas que mugem ao invés de falar - e é aí usual o “ao invés de”, pois o verdadeiro contrário de “falar” não é “se calar”, mas sim tentar se expressar como um ruminante.
Depois desse show de horrores continuo com a mesma certeza: na visão de Brasília os palhaços e funkeiros continuamos sendo nós, dos quais eles riem e os quais fazem dançar o ano todo, independentemente de eleições. E como conclusão digo: tenha paciência, já que o espetáculo para 2014 promete ainda mais. E ganha um doce quem acertar a novidade.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
"Fato social - e comercial", por Riverman
Para Émile Durkheim, sociólogo francês, o fato social é a base do estudo sociológico. Para quem desconhece os escritos durkheimianos, o autor da obra Regras do método sociológico, de 1895, explica através desse livro a existência de uma unidade alheia ao próprio cidadão, e anterior, inclusive, ao seu nascimento, que não são nada mais nada menos que, como diz o título de seu trabalho, regras. Para ser aceito em tal círculo social, o indivíduo tem que agir sob determinadas leis previamente convencionadas, caso contrário passa a ser mal visto pelos pertencentes a tal convívio.
Observamos ao analisar a sociedade atual que o objeto de estudo do intelectual francês permanece de pé. Porém, com uma diferença: assim como explica outro sociólogo, desta vez o polonês Zygmunt Bauman, vivemos em uma sociedade baseada na liquidez das relações. Inclusive, me aprofundei no estudo do último em um recente artigo aqui neste mesmo blog. Basicamente, Bauman, ao propor uma sociedade baseada num dinamismo maior no trato interpessoal, onde não há uma identificação mais alicerçada, principalmente na questão midiática, com o ser humano consumindo e comprando aquilo que o marketing propõe e pelo tempo que ela propuser, abarca justamente a questão da alienação do indivíduo contemporâneo.
Ao lincar ambos os estudos, chego à seguinte conclusão: enquanto, em fins do século XIX, Durkheim levava em consideração fatores vernáculos na formação desse fato social, como a língua, o país e a economia, que seriam unidades fundamentais na aceitação ou não de um indíviduo num círculo, Bauman, atualmente, propõe como cerne dessa questão uma fundamentação comercial, baseada no que é anunciado pelos meios de comunicação, com o cidadão se aliando, mesmo que temporariamente, a outros que concomitantemente consomem as mesmas coisas que o mercado mantém como "menina dos olhos".
Não que esses ideias de unificação nacional não existam na atualidade: a Copa do Mundo é uma prova disso, quando pessoas que mal acompanham futebol em dias normais se unem na frente de televisões e acompanham freneticamente suas respectivas seleções. Mas, ao compararmos a funcionabilidade de um em comparação a outro, o patriotismo claramente perdeu espaço. E não estou sustentando que o nacionalismo seja algo positivo; os governos fascista, nazista e outros com fundo totalitário nasceram a partir da germinação dessas ideias de Estado protetor do indivíduo.
Creio que se tivesse escrevido sua obra nos dias atuais, Durkheim teria provavelmente alertado ao problema nas suas páginas subsequentes. O que discuto, aqui, na realidade, é que mesmo sendo algo que tem poucos benefícios, ou nenhum, melhor dizendo, a questão vernacular ainda tem uma construção crítica, quando ela não é artificialmente criada, baseada em mitos heróicos na formação de tal sociedade. Ou seja, descreve aquilo que para muitos é a definição de patriotismo: aquilo que dá auto-determinação a determinada sociedade.
Agora a questão comercial é até inútil comentar mais sobre; quem lê meus artigos, já deve estar cansado como abordo o problema das Hóri, Restart e Cine do momento. Além do que, para se formar consumidores, e não cidadãos, é necessário um relaxamento intelectual, que forma uma extensa sociedade de pessoas acríticas e emburrecidas.
Ou seja, observe bem para onde estão te levando. Espero ter deixado bem claro que não defendo o patriotismo, apenas o utlizei como exemplo para definir a consciência crítica que necessariamente os cidadãos pertencentes a esse sistema, e claro, aqueles que são seus correligionários, devem possuir ao dissertar a cerca do por quê da existência do Estado. E o que temos vivido é algo bem longe de crítico...
Observamos ao analisar a sociedade atual que o objeto de estudo do intelectual francês permanece de pé. Porém, com uma diferença: assim como explica outro sociólogo, desta vez o polonês Zygmunt Bauman, vivemos em uma sociedade baseada na liquidez das relações. Inclusive, me aprofundei no estudo do último em um recente artigo aqui neste mesmo blog. Basicamente, Bauman, ao propor uma sociedade baseada num dinamismo maior no trato interpessoal, onde não há uma identificação mais alicerçada, principalmente na questão midiática, com o ser humano consumindo e comprando aquilo que o marketing propõe e pelo tempo que ela propuser, abarca justamente a questão da alienação do indivíduo contemporâneo.
Ao lincar ambos os estudos, chego à seguinte conclusão: enquanto, em fins do século XIX, Durkheim levava em consideração fatores vernáculos na formação desse fato social, como a língua, o país e a economia, que seriam unidades fundamentais na aceitação ou não de um indíviduo num círculo, Bauman, atualmente, propõe como cerne dessa questão uma fundamentação comercial, baseada no que é anunciado pelos meios de comunicação, com o cidadão se aliando, mesmo que temporariamente, a outros que concomitantemente consomem as mesmas coisas que o mercado mantém como "menina dos olhos".
Não que esses ideias de unificação nacional não existam na atualidade: a Copa do Mundo é uma prova disso, quando pessoas que mal acompanham futebol em dias normais se unem na frente de televisões e acompanham freneticamente suas respectivas seleções. Mas, ao compararmos a funcionabilidade de um em comparação a outro, o patriotismo claramente perdeu espaço. E não estou sustentando que o nacionalismo seja algo positivo; os governos fascista, nazista e outros com fundo totalitário nasceram a partir da germinação dessas ideias de Estado protetor do indivíduo.
Creio que se tivesse escrevido sua obra nos dias atuais, Durkheim teria provavelmente alertado ao problema nas suas páginas subsequentes. O que discuto, aqui, na realidade, é que mesmo sendo algo que tem poucos benefícios, ou nenhum, melhor dizendo, a questão vernacular ainda tem uma construção crítica, quando ela não é artificialmente criada, baseada em mitos heróicos na formação de tal sociedade. Ou seja, descreve aquilo que para muitos é a definição de patriotismo: aquilo que dá auto-determinação a determinada sociedade.
Agora a questão comercial é até inútil comentar mais sobre; quem lê meus artigos, já deve estar cansado como abordo o problema das Hóri, Restart e Cine do momento. Além do que, para se formar consumidores, e não cidadãos, é necessário um relaxamento intelectual, que forma uma extensa sociedade de pessoas acríticas e emburrecidas.
Ou seja, observe bem para onde estão te levando. Espero ter deixado bem claro que não defendo o patriotismo, apenas o utlizei como exemplo para definir a consciência crítica que necessariamente os cidadãos pertencentes a esse sistema, e claro, aqueles que são seus correligionários, devem possuir ao dissertar a cerca do por quê da existência do Estado. E o que temos vivido é algo bem longe de crítico...
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Escolhas...
De que adianta? correr atraz do que não volta mais? se insistir desse certo.....
certamente não sou um homem que batalha intensamente por tudo o que quer, muitas vezes tenho medo... muitas vezes há escolhas no caminho, decisões que as vezes são tomadas sem pensar, e outras pensando muito, mas em sua maioria, as sem pensar, algumas, dão certo, e as que voce mais se da ao luxo de pensar mto sobre, dão errado.
Como? como voce pode seguir um caminho desconhecido, querendo agir justamente, sendo que não tenho a mínima noção do "ser justo" , como lutar com honra ate suas ultimas forças, se...o medo lhe corrompe, se vc sofre perdas e sua moral de baixa vai a nula? Acredito em Deus e deixo tudo em suas mãos, pois nunca confie em um homem ou mulher, pois a carne e a alma dessas são podres por dentro e por fora, e por mais bondosa a alma, uma hora cedo ou tarde falhamos, por isso, encarecido amigo...Tome uma lição que aprendi ao longo da minha vida (por mais breve que tenha sido ate este momento), não se atormente por bobagens, não fique nervoso por poucas coisas, nem abatido, o mund tem problemas tão grandes e infindáveis algumas pessoas passando por seus piores pesadelos perdendo familia na guerra presenciando o ocorrido, e vc apenas nervoso porque um colega de trabalho lhe proferiu "palavras", voce ja pensou em depois de ele terminar de falar, apenas encara-lo com um leve sorriso?, voce pode ser superior a tudo isso, poucas pessoas realmente conhecem o terror e com o que realmente focar seu ódio, coisas pequenas nem merecem sua atenção, voce terminou com sua namorada? sinta saudades, lembre dos bons momentos levante a cabeça e siga em frente, tristeza, eh um sentimento muito forte, pra ser gasto com pouca coisa...vc esta triste pq perdeu o "amor"? defina AMOR por favor... sexo e coisas que os dois gostavam?a não ser que tenham vivido mais de 10 anos juntos e ela tenha partido pro alem, vc não perdeu seu amor, um dos dois apenas fez uma escolha, talvez certa, talvez se arrependa, quem sabe?
Amor, com sinceridade... é quando as duas pessoas realmente se querem a ponto de esquecer alguma outra escolha que separe os dois, mas não se iluda, a partir do ponto que uma dessas pessoas resolve trair, o amor acaba, seja sabio e saiba se retirar, mesmo com o coração partido, pois foi a "escolha" daquela pessoa, e se há traição é porque voce não é mais o suficiente pra ela, e se é assim, que ela escolha outras pessoas, voce não vai morrer por isso, e se morrer, sinto muito mas está no mundo errado, ngm aqui tem pena de ninguem e com certeza o mundo não gira em torno de voce, saiba que mesmo existindo pessoas que te amem voce ainda esta sozinho, pq ngm compartilha sua alma e nem seu coração, só há 1 pra cada pessoa, então preserve o que é seu, levante sua cabeça com honra, encha seu coração de coragem e continue seguindo em frente pois sua vida esta começando e ainda resta muitas escolhas para serem tomadas, não seja frio amigo, torne-se uma pessoa serena, sabia e observadora, observe seus erros e os das pessoas a sua volta, aprenda com isso, o que eu quero dizer é... Que apesar de todos os pequenos problemas e da solidão que nos toma, temos que perseverar e derruba-los como se fossem seus mais severos inimigos, junte seus amigos faça uma boa viajem, se distraia com as pequenas coisas como um por do sol ou em como fica marilhosa a luz da lua contornando uma arvore como se fosse uma aura e no centro dela continue cheio de sombras, é assim que as vezes me sinto, mas se vc olhar por debaixo dela, vai ver que a luz penetra entre os galhos o que te faz pensar que o q vc avistava de longe era apenas superficial...
apenas pensamentos...
-=JNR=-
certamente não sou um homem que batalha intensamente por tudo o que quer, muitas vezes tenho medo... muitas vezes há escolhas no caminho, decisões que as vezes são tomadas sem pensar, e outras pensando muito, mas em sua maioria, as sem pensar, algumas, dão certo, e as que voce mais se da ao luxo de pensar mto sobre, dão errado.
Como? como voce pode seguir um caminho desconhecido, querendo agir justamente, sendo que não tenho a mínima noção do "ser justo" , como lutar com honra ate suas ultimas forças, se...o medo lhe corrompe, se vc sofre perdas e sua moral de baixa vai a nula? Acredito em Deus e deixo tudo em suas mãos, pois nunca confie em um homem ou mulher, pois a carne e a alma dessas são podres por dentro e por fora, e por mais bondosa a alma, uma hora cedo ou tarde falhamos, por isso, encarecido amigo...Tome uma lição que aprendi ao longo da minha vida (por mais breve que tenha sido ate este momento), não se atormente por bobagens, não fique nervoso por poucas coisas, nem abatido, o mund tem problemas tão grandes e infindáveis algumas pessoas passando por seus piores pesadelos perdendo familia na guerra presenciando o ocorrido, e vc apenas nervoso porque um colega de trabalho lhe proferiu "palavras", voce ja pensou em depois de ele terminar de falar, apenas encara-lo com um leve sorriso?, voce pode ser superior a tudo isso, poucas pessoas realmente conhecem o terror e com o que realmente focar seu ódio, coisas pequenas nem merecem sua atenção, voce terminou com sua namorada? sinta saudades, lembre dos bons momentos levante a cabeça e siga em frente, tristeza, eh um sentimento muito forte, pra ser gasto com pouca coisa...vc esta triste pq perdeu o "amor"? defina AMOR por favor... sexo e coisas que os dois gostavam?a não ser que tenham vivido mais de 10 anos juntos e ela tenha partido pro alem, vc não perdeu seu amor, um dos dois apenas fez uma escolha, talvez certa, talvez se arrependa, quem sabe?
Amor, com sinceridade... é quando as duas pessoas realmente se querem a ponto de esquecer alguma outra escolha que separe os dois, mas não se iluda, a partir do ponto que uma dessas pessoas resolve trair, o amor acaba, seja sabio e saiba se retirar, mesmo com o coração partido, pois foi a "escolha" daquela pessoa, e se há traição é porque voce não é mais o suficiente pra ela, e se é assim, que ela escolha outras pessoas, voce não vai morrer por isso, e se morrer, sinto muito mas está no mundo errado, ngm aqui tem pena de ninguem e com certeza o mundo não gira em torno de voce, saiba que mesmo existindo pessoas que te amem voce ainda esta sozinho, pq ngm compartilha sua alma e nem seu coração, só há 1 pra cada pessoa, então preserve o que é seu, levante sua cabeça com honra, encha seu coração de coragem e continue seguindo em frente pois sua vida esta começando e ainda resta muitas escolhas para serem tomadas, não seja frio amigo, torne-se uma pessoa serena, sabia e observadora, observe seus erros e os das pessoas a sua volta, aprenda com isso, o que eu quero dizer é... Que apesar de todos os pequenos problemas e da solidão que nos toma, temos que perseverar e derruba-los como se fossem seus mais severos inimigos, junte seus amigos faça uma boa viajem, se distraia com as pequenas coisas como um por do sol ou em como fica marilhosa a luz da lua contornando uma arvore como se fosse uma aura e no centro dela continue cheio de sombras, é assim que as vezes me sinto, mas se vc olhar por debaixo dela, vai ver que a luz penetra entre os galhos o que te faz pensar que o q vc avistava de longe era apenas superficial...
apenas pensamentos...
-=JNR=-
sexta-feira, 30 de julho de 2010
A ambição dos bons ouvintes
Qual será a maior ambição dos ouvintes da boa música?
O que será que pode ser definido como boa música?
Como escapar do midiático?
Essas são perguntas frequentes para aqueles que apreciam a boa música, e que se vêem
num "mato sem cachorro" (com o perdão do trocadilho) face ao cenário musical atual.
A maior prova de que a música está primando cada vez mais pela imagem e menos pelo som,
é o fato de que os amantes da modernidade execram a música tradicional...o bom samba, o bom jazz, blues, clássico, rock, progressivo, metal, hard rock ou o que seja.
Existe um processo, claramente visível nas camadas mais jovens, de escárnio geral contra os adolescentes e crianças que tem gosto musical diferente de "Pixote", "Rebolation", "Justin Bieber" e "Fiuk", adolescentes esses que são chamados de caretas, chatos e loucos, por seus gostos diferentes.
Mas o que será que causa essa embolia de conceitos errados?
Será que os nascidos na nova geração estão com caso crônico de decréscimo de inteligêngia e capacidade crítica?
Não, caro leitor, é claro que não...
A culpa, mais uma vez, é da mídia...ah, a mídia
A mídia que coroou nosso mundo com feitos brilhantes como a eleição do Collor, por exemplo, a mesma mídia que distraiu a cabeça do povo durante a COPA do Mundo de 1970.
Sim, a mídia, que dita, subliminarmente, tudo o que você deve gostar e consumir, que se utiliza da imagem de personalidades supostamente "acima de qualquer suspeita" para promover a venda de produtos que tem por único objetivo, fazer o dinheiro continuar circulando entre eles próprios, executivos das emissoras de tv e radiodifusão, além de produtores e empresários de bandinhas comerciais.
Tudo gira em torno do dinheiro, e quase sempre girou, mas a música e vitima recente
desse tsunami de ganância e desinteligência, o que desanima muitos ouvintes da música de qualidade.
Então, caro leitor, antes de classificar uma atração musical como "boa" ou "ruim", preste ateção nos motivos da sua escolha, não levando nunca em conta a quantidade de vezes que determinado grupo aparece na tv, ou no rádio, ou mesmo se os shows são lotados ou hiperlotados, pois, como é de conhecimento popular, "quantidade" e "qualidade" são quase que instintivamente discrepantes.
Aqui é MadMax
Abraço!
O que será que pode ser definido como boa música?
Como escapar do midiático?
Essas são perguntas frequentes para aqueles que apreciam a boa música, e que se vêem
num "mato sem cachorro" (com o perdão do trocadilho) face ao cenário musical atual.
A maior prova de que a música está primando cada vez mais pela imagem e menos pelo som,
é o fato de que os amantes da modernidade execram a música tradicional...o bom samba, o bom jazz, blues, clássico, rock, progressivo, metal, hard rock ou o que seja.
Existe um processo, claramente visível nas camadas mais jovens, de escárnio geral contra os adolescentes e crianças que tem gosto musical diferente de "Pixote", "Rebolation", "Justin Bieber" e "Fiuk", adolescentes esses que são chamados de caretas, chatos e loucos, por seus gostos diferentes.
Mas o que será que causa essa embolia de conceitos errados?
Será que os nascidos na nova geração estão com caso crônico de decréscimo de inteligêngia e capacidade crítica?
Não, caro leitor, é claro que não...
A culpa, mais uma vez, é da mídia...ah, a mídia
A mídia que coroou nosso mundo com feitos brilhantes como a eleição do Collor, por exemplo, a mesma mídia que distraiu a cabeça do povo durante a COPA do Mundo de 1970.
Sim, a mídia, que dita, subliminarmente, tudo o que você deve gostar e consumir, que se utiliza da imagem de personalidades supostamente "acima de qualquer suspeita" para promover a venda de produtos que tem por único objetivo, fazer o dinheiro continuar circulando entre eles próprios, executivos das emissoras de tv e radiodifusão, além de produtores e empresários de bandinhas comerciais.
Tudo gira em torno do dinheiro, e quase sempre girou, mas a música e vitima recente
desse tsunami de ganância e desinteligência, o que desanima muitos ouvintes da música de qualidade.
Então, caro leitor, antes de classificar uma atração musical como "boa" ou "ruim", preste ateção nos motivos da sua escolha, não levando nunca em conta a quantidade de vezes que determinado grupo aparece na tv, ou no rádio, ou mesmo se os shows são lotados ou hiperlotados, pois, como é de conhecimento popular, "quantidade" e "qualidade" são quase que instintivamente discrepantes.
Aqui é MadMax
Abraço!
domingo, 25 de julho de 2010
"Temos pelo menos 3 Ellis Park", por Riverman
O período de disputa da Copa do Mundo de 2010 também serviu de discussão para o evento de 2014. O Morumbi, estádio do São Paulo Futebol Clube, não servirá mais como palco para o Mundial do Brasil, segundo a FIFA, entidade máxima do esporte mais popular do planeta. Entretanto, os governos municipal e estadual de São Paulo têm mantido uma postura de não construir um novo estádio em solo paulista, ficando, por enquanto, a maior cidade do país sem uma sede para o evento futebolístico mais importante do mundo. Apesar de peessedebistas, e ter ressalvas especiais ante o partido, ambas esferas adminstrativas envolvidas na questão estão certas na decisão.
Mas ao analisarmos o estádio que já observou in loco duas conquistas da Libertadores, vemos que ele não deixa nada a desejar a muitos estádios localizados em países de primeiro escalão do futebol; inclusive o Ellis Park, estádio recentemente utlizado na Copa da África, tem estruturas bastante parelhas. Concordo que o brasileiro tem defeitos gravíssimos, como pontos cegos, mas no assunto estrutura e acesso, partindo da premissa que o poder público construa estações de metrô e crie linhas extras de ônibus para o Mundial, ele fica no mesmo nível de outras arenas espalhadas pelo mundo. Claro que, mesmo como são-paulino, devo assumir que ele já não é um estádio moderno, foi construído na década de 60, mas ainda dá um bom caldo. Ainda mais quando comparado a campos utilizados no último evento FIFA. E não só a propriedade do Tricolor Paulista é no Brasil próxima a muitos africanos onde as maiores estrelas do mundo do futebol pisaram há um mês.
O Maracanã, até mais antigo que o estádio do São Paulo, no Rio de Janeiro, e a Arena da Baixada, em Curitiba, são exemplos em melhor situação. O primeiro, vedete da Copa de 1950, possui visão e campo amplos. É de fácil acesso, pois encontra-se em local estratégico do Rio de Janeiro, e recentemente passou por reformas para o Pan-Americano realizado em 2007 na cidade. Apesar de já não ser mais o mesmo, tem ainda muito brilho e charme. O segundo, porém, está no lado oposto. Estádio totalmente moderno, finalizado ainda na primeira década do milênio, conta com shoppings e modernas istalações, desde os banheiros até as cabines de transmissão. Só de contar com ele, uma estrutura já existente, o Paraná já dá um passo à frente na organização. Isso sem falar no Engenhão, entregue em 2007 para o Pan mas que está fora da lista de praças para o Mundial, tido como o mais atualizado da América Latina, que ganharia fácil do Ellis Park, e em todos os quesitos.
Claro que excetuando o Soccer City, palco da final e construído exclusivamente para a competição internacional, que deve se tornar um "elefante branco" daqui para frente, todos os outros estádios sulafricanos estão basicamente no nível dos nossos, pois os primeiros, antes da Copa, contavam com estruturas bastante parecidas, e nenhum milagre foi feito para estruturá-los.
Espero que a decisão paulista tenha sido definitiva. A prova de que um Mundial pode ser organizado sem novos estádios é a própria África do Sul. Não há necessidade de se tirar divisas dos cofres públicos para a construção, pois, além de desnecessária, eventos esportivos em território brasileiro costumam ter as despezas exponencialmente crescentes, algo que orçamentos para 2014 já começam a dar sinais de ocorrência.
A FIFA que aceite o Morumbi ou a iniciativa privada que construa um. E se ele seguir não servindo que São Paulo não tenha sede. Quem sairá perdendo não é o Estado nem a cidade, e sim o evento, que carecará do município onde floresceu o esporte no país e onde foi disputado o primeiro campeonato oficial em solo tupiniquim, em 1896. Aliás, São Paulo só por isso não deveria sediar a estreia, mas sim a final. Enfim, como depositar confiança numa entidade que cancela um Mundial de clubes a dois meses antes do seu início? Paciência...
Mas ao analisarmos o estádio que já observou in loco duas conquistas da Libertadores, vemos que ele não deixa nada a desejar a muitos estádios localizados em países de primeiro escalão do futebol; inclusive o Ellis Park, estádio recentemente utlizado na Copa da África, tem estruturas bastante parelhas. Concordo que o brasileiro tem defeitos gravíssimos, como pontos cegos, mas no assunto estrutura e acesso, partindo da premissa que o poder público construa estações de metrô e crie linhas extras de ônibus para o Mundial, ele fica no mesmo nível de outras arenas espalhadas pelo mundo. Claro que, mesmo como são-paulino, devo assumir que ele já não é um estádio moderno, foi construído na década de 60, mas ainda dá um bom caldo. Ainda mais quando comparado a campos utilizados no último evento FIFA. E não só a propriedade do Tricolor Paulista é no Brasil próxima a muitos africanos onde as maiores estrelas do mundo do futebol pisaram há um mês.
O Maracanã, até mais antigo que o estádio do São Paulo, no Rio de Janeiro, e a Arena da Baixada, em Curitiba, são exemplos em melhor situação. O primeiro, vedete da Copa de 1950, possui visão e campo amplos. É de fácil acesso, pois encontra-se em local estratégico do Rio de Janeiro, e recentemente passou por reformas para o Pan-Americano realizado em 2007 na cidade. Apesar de já não ser mais o mesmo, tem ainda muito brilho e charme. O segundo, porém, está no lado oposto. Estádio totalmente moderno, finalizado ainda na primeira década do milênio, conta com shoppings e modernas istalações, desde os banheiros até as cabines de transmissão. Só de contar com ele, uma estrutura já existente, o Paraná já dá um passo à frente na organização. Isso sem falar no Engenhão, entregue em 2007 para o Pan mas que está fora da lista de praças para o Mundial, tido como o mais atualizado da América Latina, que ganharia fácil do Ellis Park, e em todos os quesitos.
Claro que excetuando o Soccer City, palco da final e construído exclusivamente para a competição internacional, que deve se tornar um "elefante branco" daqui para frente, todos os outros estádios sulafricanos estão basicamente no nível dos nossos, pois os primeiros, antes da Copa, contavam com estruturas bastante parecidas, e nenhum milagre foi feito para estruturá-los.
Espero que a decisão paulista tenha sido definitiva. A prova de que um Mundial pode ser organizado sem novos estádios é a própria África do Sul. Não há necessidade de se tirar divisas dos cofres públicos para a construção, pois, além de desnecessária, eventos esportivos em território brasileiro costumam ter as despezas exponencialmente crescentes, algo que orçamentos para 2014 já começam a dar sinais de ocorrência.
A FIFA que aceite o Morumbi ou a iniciativa privada que construa um. E se ele seguir não servindo que São Paulo não tenha sede. Quem sairá perdendo não é o Estado nem a cidade, e sim o evento, que carecará do município onde floresceu o esporte no país e onde foi disputado o primeiro campeonato oficial em solo tupiniquim, em 1896. Aliás, São Paulo só por isso não deveria sediar a estreia, mas sim a final. Enfim, como depositar confiança numa entidade que cancela um Mundial de clubes a dois meses antes do seu início? Paciência...
quinta-feira, 15 de julho de 2010
"De Di Ferrero a Fiuk: a liquidez social", por Riverman
Quem aqui ouviu a palavra ou viu algum emo nos últimos tempos? Poucos, pois o movimento se arrefeceu pelo menos nos últimos 2 anos e deu lugar a uma nova modinha – o happy rock, como os membros da nova onda musical gostam de chama-la. O mais engraçado disso tudo é: o que aconteceu com os tão numerosos “choradeiros”, que infestavam nossas ruas com sua tristeza quase crônica? Morreram junto com o movimento? Foram morar no fundo do Oceano Atlântico?
Infelizmente não. A nossa sociedade líquida – termo utilizado pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman – transformou adeptos de certos movimentos facilmente em correligionários de outros. Aqueles mesmos tristonhos, fãs de Di Ferrero, vocalista do NXZero, que se vestiam totalmente de preto e usavam aquelas franjas lambidas na testa são, em grande maioria, os novos “coloridinhos”, admiradores de Fiuk, vocalista da banda Hori e também conhecido como filho do cantor Fábio Júnior, que usam calças laranjas, óculos roxos e camisetas verde-limão. E muitos se perguntam: mas se os emos eram conhecidos pela sua tristeza quase mórbida como eles se “transformaram” em algo totalmente oposto, que tem como composições mais populares idas a baladas ou a shoppings centers?
Aí é que justamente mora o problema. Não há uma identificação plena entre os membros dos movimentos “modinha". Ou seja, as pessoas passam a seguir o que manda a “tendência”: o que está em voga na maioria, outros resolvem “embarcar no bonde” e se apegam àquilo quase que de maneira doentia, apesar da brevidade. A pergunta que para no ar é justamente onde fica a personalidade do ser humano. Há preferência em fazer parte de algo aceito momentaneamente pela maioria, mas em detrimento daquilo que pessoa realmente gosta. Isso se essas pessoas que seguem essas frugalidades têm tanta complexidade intelectual para realmente gostar "de algo".
Aliás, no nosso mundo a liquidez não pertence apenas a esse campo: a fama, então artigo de talentosas pessoas públicas, se tornou breve e passageira com os realities shows da vida. Muitos saem da “casa mais vigiada do Brasil”, como Pedro Bial se refere ao BBB, extremamente badalados. Por dois ou três meses. Depois, o ostracismo resolve mostrar sua verdadeira face, e os holofotes passam o bastão para os integrantes da próxima edição.
Enfim, não podemos nos prender a rótulos. A sociedade combate a todo o tempo quem não se adequa às “modinhas”, que nada mais são que maneiras de exploração comercial – só, como exemplo, veja quantos acessos a vídeos no YouTube possui a banda Cine, novo fenômeno, só quantitativamente, fonográfico do Brasil. Quem não embarca é chamado de antiquado. Mas se preocupe em ser você mesmo. Muitos se esquecem de que vivemos num mundo sólido. Seguir esses sucessos passageiros é que “tá por fora”.
Infelizmente não. A nossa sociedade líquida – termo utilizado pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman – transformou adeptos de certos movimentos facilmente em correligionários de outros. Aqueles mesmos tristonhos, fãs de Di Ferrero, vocalista do NXZero, que se vestiam totalmente de preto e usavam aquelas franjas lambidas na testa são, em grande maioria, os novos “coloridinhos”, admiradores de Fiuk, vocalista da banda Hori e também conhecido como filho do cantor Fábio Júnior, que usam calças laranjas, óculos roxos e camisetas verde-limão. E muitos se perguntam: mas se os emos eram conhecidos pela sua tristeza quase mórbida como eles se “transformaram” em algo totalmente oposto, que tem como composições mais populares idas a baladas ou a shoppings centers?
Aí é que justamente mora o problema. Não há uma identificação plena entre os membros dos movimentos “modinha". Ou seja, as pessoas passam a seguir o que manda a “tendência”: o que está em voga na maioria, outros resolvem “embarcar no bonde” e se apegam àquilo quase que de maneira doentia, apesar da brevidade. A pergunta que para no ar é justamente onde fica a personalidade do ser humano. Há preferência em fazer parte de algo aceito momentaneamente pela maioria, mas em detrimento daquilo que pessoa realmente gosta. Isso se essas pessoas que seguem essas frugalidades têm tanta complexidade intelectual para realmente gostar "de algo".
Aliás, no nosso mundo a liquidez não pertence apenas a esse campo: a fama, então artigo de talentosas pessoas públicas, se tornou breve e passageira com os realities shows da vida. Muitos saem da “casa mais vigiada do Brasil”, como Pedro Bial se refere ao BBB, extremamente badalados. Por dois ou três meses. Depois, o ostracismo resolve mostrar sua verdadeira face, e os holofotes passam o bastão para os integrantes da próxima edição.
Enfim, não podemos nos prender a rótulos. A sociedade combate a todo o tempo quem não se adequa às “modinhas”, que nada mais são que maneiras de exploração comercial – só, como exemplo, veja quantos acessos a vídeos no YouTube possui a banda Cine, novo fenômeno, só quantitativamente, fonográfico do Brasil. Quem não embarca é chamado de antiquado. Mas se preocupe em ser você mesmo. Muitos se esquecem de que vivemos num mundo sólido. Seguir esses sucessos passageiros é que “tá por fora”.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
"Vivendo vivendo", por Riverman
Viver sem prazer, anestesiado pela frieza do Homem. Para muitas pessoas essa afirmação é algo compeltamente inconcebível e absurdo. Estes pregam que estar no mundo é bom. Que dormir e, no dia seguinte, acordar é uma coisa legal. Só farei algumas perguntas aos adeptos dessa política:
Onde é correto estar num planeta no qual as relações são basicamente pautadas pelo dinheiro - muitos quando dizem que não se valem da hipocrisia? Onde é bacana perambular em terras onde poucos detêm muito, e muitos detêm pouco? Onde é excitante estar de pé em lugares onde as pessoas te dão tapas, socos e pontapés diariamente, e você é obrigado a engolir?
Que razão, próximo de completar 21 anos, tenho de comemorar e assoprar mais uma vela? Como é possível ter vontade de continuar lutando tendo, no coração, uma baixa auto-estima e uma desilusão reinantes? No que vou me apegar se mal tenho vontade de sair às ruas e encarar meus congêneres?
Espero, ou melhor, não espero, pois é impossível que estas perguntas sejam respondidas pelos amantes da vida. Pelas pessoas, assim como eu já fui, que conseguem acreditar no bem e no amor do próximo, que foram assassinados pelo dinheiro e pelo poder. Espero não ter parecido um defensor da morte, mas o que me incomoda é sermos tão tolos em relação à vida. Ela parece ser legal apenas para um tipo de pessoas: os sádicos. Mas como, ainda bem, não me tornei um, a vida tem parecido bem diferente pra mim...
Onde é correto estar num planeta no qual as relações são basicamente pautadas pelo dinheiro - muitos quando dizem que não se valem da hipocrisia? Onde é bacana perambular em terras onde poucos detêm muito, e muitos detêm pouco? Onde é excitante estar de pé em lugares onde as pessoas te dão tapas, socos e pontapés diariamente, e você é obrigado a engolir?
Que razão, próximo de completar 21 anos, tenho de comemorar e assoprar mais uma vela? Como é possível ter vontade de continuar lutando tendo, no coração, uma baixa auto-estima e uma desilusão reinantes? No que vou me apegar se mal tenho vontade de sair às ruas e encarar meus congêneres?
Espero, ou melhor, não espero, pois é impossível que estas perguntas sejam respondidas pelos amantes da vida. Pelas pessoas, assim como eu já fui, que conseguem acreditar no bem e no amor do próximo, que foram assassinados pelo dinheiro e pelo poder. Espero não ter parecido um defensor da morte, mas o que me incomoda é sermos tão tolos em relação à vida. Ela parece ser legal apenas para um tipo de pessoas: os sádicos. Mas como, ainda bem, não me tornei um, a vida tem parecido bem diferente pra mim...
sexta-feira, 25 de junho de 2010
"Desfuncionalidade verde-e-amarela", por Riverman
Hoje tivemos mais uma partida de Copa do Mundo. E hoje tivemos Brasil em campo. Na última partida válida pelo grupo G do Mundial da África do Sul, o time canarinho enfrentou Portugal. O 0 a 0 morno refletiu o desinteresse de ambas as equipes, já que a igualdade classificava os dois times.
Enfim, a minha intenção não é de escrever sobre o desempenho futebolístico da pentacampeã mundial de futebol nos gramados do continente negro. Quero falar, na verdade, sobre o marasmo com o qual o país funciona quando nossos futebolistas adentram o gramado de alguma outra nação de 4 em 4 anos, apesar da Copa ser para muitos especialistas um estimulante para nossos setores econômicos quando o Brasil joga e vence, pois os trabalhadores encaram a jornada de trabalho com mais entusiasmo e, com isso, produzem mais.
Porém, o que vi e o que sempre vejo difere da visão desses economistas. O verde-e-amarelo toma conta das cidades, e a desfuncionalidade se torna padrão. Até hoje, uma sexta-feira, as ruas, poucos minutos antes da partida, estavam desertas, em mais um dia - que deveria ser - comercial. Os bancos, por exemplo, interromperam seus expedientes, e a universidade na qual eu estudo também não funcionou até às 14h, com os alunos do período diurno ficando, obviamente, sem aulas. Sem querer contradizê-los, acho que as partidas do Brasil em Copas não são um catalizador da economia, mas o contrário.
Sem falar no patriotismo quase que exclusivo do brasileiro nas competições esportivas, especialmente no futebol. O verde-e-amarelo só se torna padrão na hora de torcer e incentivar os atletas, mas nunca nos grandes movimentos e lutas que quase inexistem no país. Bater no peito e dizer "Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor" é uma atitude latente nos momentos mais cômodos do Brasil, com o esporte exercendo uma dessas funções.
A prova maior desse descaso com a política em momentos de grande furor atlético é a do recente reajuste no salário dos deputados em 28%. Ah, tá, é verdade... poucos sabem porque as televisões permanecem ligadas somente nas notícias provenientes da África do Sul. Ou seja, são os nossos congressistas mostrando seu "amor à pátria", se valendo da verdadeira desatenção do povo tupiniquim ao noticiário político, que, apesar de estar maior, não é exclusivo desses dias.
Vai parecer paradoxal, mas em nenhum momento critico a existência da Copa do Mundo. Sou e assumo ser um aficcionado por futebol e sempre lamento perder jogos do Mundial, quando necessito ir à aula ou tenho de fazer outra atividade quando há transmissão de qualquer partida. O que discuto aqui é a alienação e a pane pelas quais passa o brasileiro nesse mês mais agitado do ano - certamente mais do que as Eleições -, que só provam que o país sempre teve interferências em seu, ao menos suposto, desenvolvimento. Termino com palavras que já usei num antigo post: ainda temos políticos "bem-intencionados" para nos ajudar...
Enfim, a minha intenção não é de escrever sobre o desempenho futebolístico da pentacampeã mundial de futebol nos gramados do continente negro. Quero falar, na verdade, sobre o marasmo com o qual o país funciona quando nossos futebolistas adentram o gramado de alguma outra nação de 4 em 4 anos, apesar da Copa ser para muitos especialistas um estimulante para nossos setores econômicos quando o Brasil joga e vence, pois os trabalhadores encaram a jornada de trabalho com mais entusiasmo e, com isso, produzem mais.
Porém, o que vi e o que sempre vejo difere da visão desses economistas. O verde-e-amarelo toma conta das cidades, e a desfuncionalidade se torna padrão. Até hoje, uma sexta-feira, as ruas, poucos minutos antes da partida, estavam desertas, em mais um dia - que deveria ser - comercial. Os bancos, por exemplo, interromperam seus expedientes, e a universidade na qual eu estudo também não funcionou até às 14h, com os alunos do período diurno ficando, obviamente, sem aulas. Sem querer contradizê-los, acho que as partidas do Brasil em Copas não são um catalizador da economia, mas o contrário.
Sem falar no patriotismo quase que exclusivo do brasileiro nas competições esportivas, especialmente no futebol. O verde-e-amarelo só se torna padrão na hora de torcer e incentivar os atletas, mas nunca nos grandes movimentos e lutas que quase inexistem no país. Bater no peito e dizer "Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor" é uma atitude latente nos momentos mais cômodos do Brasil, com o esporte exercendo uma dessas funções.
A prova maior desse descaso com a política em momentos de grande furor atlético é a do recente reajuste no salário dos deputados em 28%. Ah, tá, é verdade... poucos sabem porque as televisões permanecem ligadas somente nas notícias provenientes da África do Sul. Ou seja, são os nossos congressistas mostrando seu "amor à pátria", se valendo da verdadeira desatenção do povo tupiniquim ao noticiário político, que, apesar de estar maior, não é exclusivo desses dias.
Vai parecer paradoxal, mas em nenhum momento critico a existência da Copa do Mundo. Sou e assumo ser um aficcionado por futebol e sempre lamento perder jogos do Mundial, quando necessito ir à aula ou tenho de fazer outra atividade quando há transmissão de qualquer partida. O que discuto aqui é a alienação e a pane pelas quais passa o brasileiro nesse mês mais agitado do ano - certamente mais do que as Eleições -, que só provam que o país sempre teve interferências em seu, ao menos suposto, desenvolvimento. Termino com palavras que já usei num antigo post: ainda temos políticos "bem-intencionados" para nos ajudar...
quarta-feira, 19 de maio de 2010
ASNEIRICES
ONTEM ANDEI...
PEGUEI UMA CARONA COM UM COLEGA NA SAIDA DA FACULDADE E APROVEITEI PRA ANDAR BOA PARTE DO TRAJETO ATE MINHA CASA.
ENQUANTO ISSO PENSAVA... NOS FATOS OCORRIDOS NO MESMO DIA, MAIS CEDO:
CHEGO CEDO NA AULA, A VIAGEM DE PRAIA GRANDE A SANTOS DURA MENOS QUE O ESPERADO QUASE SEMPRE...PARABENS AO SISTEMA DE ONIBUS DA BAIXADA, QUE APESAR DE NAO VARIAR OS PEDINTES LENDARIOS, ATE QUE E RAPIDINHO.
FATO É: CHEGO CEDO POIS GOSTO DE SENTAR NAS PRIMEIRAS CARTEIRAS, E ACABO SEMPRE MONTANDO MEU HQ NA MESMA LOCALIDADE DA SALA.
DEIXEI MINHA BAGAGEM NO MEU JA LENDARIO LUGAR E FUI PASSEAR NAS OUTRAS CARTEIRAS, PARA CUMPRIMENTAR OS COLEGAS. UM REBOLIÇO JA COSTUEIRO SE FORMA NAS IMEDIAÇOES, A HORA DO RUSH COMEÇA E AS CARTEIRAS COMEÇAM A SER RAPIDAMENTE OCUPADAS, FICO ATENTO PARA, SE NECESSÁRIO, CEDER RAPIDAMENTE A CARTEIRA QUE ESTOU PROVISORIAMENTE OCUPANDO.
MEANWHILE, UM RAPAZ SENTA AO LADO DO MEU QG, DO OUTRO LADO DA SALA...
LOGO EM SEGUIDA
TODAS AS CARTEIRAS AO REDOR DO QG SAO OCUPADAS...
E EIS QUE SURGE A DEUSA DA SALA, UM SER ABSURDAMENTE CONCORDANTE COM OS PADROES DE BELEZA DA ATUALIDADE E COM OS PADROES DE INTELIGENCIA DO SER FEMININO DE 80 ANOS ATRAS. ELA DESEJA SENTAR AO LADO DO JA MENCIONADO RAPAZ...
MINHA MOCHILA ESTA LA...
O RAPAZ ME PROCURA E PEDE PRA EU TROCAR DE LUGAR...
E FATO QUE OS DOIS SAO COMPROMETIDOS COM TERCEIROS, POIS O BRILHO DE SUAS COLOSSAIS ALIANÇAS DE PRATA NAO ME DEIXAM MENTIR.
E FATO QUE QUANDO ESTE QUE VOS FALA SOLTA A FRASE
"SE VOCE QUER SENTAR DO LADO DELA, FALE COM ELA, EU DAQUI NAO SAIO"
O RAPAZ E A MOÇA FICAM COM OS SORRISOS AMARELOS, COMO QUE TENTANDO OFUSCAR O BRILHO LETAL DO AÇO CORTANTE DA MINHA AFIRMAÇAO PERANTE A CLASSE ATENTA;
LOGO APOS, O RAPAZ E A MOÇA PASSAM A TRATAR COM DISTINTA CONSIDERAÇAO ESTE QUE VOS FALA...CAUSANDO DESENTENDIMENTO...
NA HORA DO INTERVALO, O RAPAZ NOVAMENTE ME PROCURA E PEDE QUE EU NAO FAÇA ESSE TIPO DE COMENTARIO NOVAMENTE PARA QUE NENHUM DOS CONJUGES DOS DOIS FIQUE SABENDO...
ENFIM, O QUE ME DEIXA PUTO, DEIXANDO A FORMALIDADE DE LADO, NAO E O FATO DA PUTARIA E FALTA DE LEALDADE TOMAREM CONTA DO POVO, NA REAL, O QUE ME DEIXA PUTO E O FATO DESSE POVO PARTIR DO PRINCIPIO QUE EU ME IMPORTO COM A VIDA SEXUAL ALHEIA, OU QUE EU VA ME DAR AO TRABALHO DE IR CONTAR PROS NAMORADOS E NAMORADAS AS TRAIRAGENS QUE ANDAM COMETENDO.
ISSO ME ENTRISTECE SERIAMENTE, POIS MEU OBJETIVO MAIOR AO AGIR DO JEITO QUE AJO E DEIXAR BEM CLARO QUE A VIDA ALHEIA NAO ME IMPORTA NEM UM POUCO...ENFIM.
EU ME GARANTO...
DOS 200 SO SE FORMARAO 12
EU ESTAREI ENTRE ELES
E, DE PREFERENCIA, OUVINDO EMERSON LAKE AND PALMER
DANE-SE O RESTO
ABRAÇOS!
PEGUEI UMA CARONA COM UM COLEGA NA SAIDA DA FACULDADE E APROVEITEI PRA ANDAR BOA PARTE DO TRAJETO ATE MINHA CASA.
ENQUANTO ISSO PENSAVA... NOS FATOS OCORRIDOS NO MESMO DIA, MAIS CEDO:
CHEGO CEDO NA AULA, A VIAGEM DE PRAIA GRANDE A SANTOS DURA MENOS QUE O ESPERADO QUASE SEMPRE...PARABENS AO SISTEMA DE ONIBUS DA BAIXADA, QUE APESAR DE NAO VARIAR OS PEDINTES LENDARIOS, ATE QUE E RAPIDINHO.
FATO É: CHEGO CEDO POIS GOSTO DE SENTAR NAS PRIMEIRAS CARTEIRAS, E ACABO SEMPRE MONTANDO MEU HQ NA MESMA LOCALIDADE DA SALA.
DEIXEI MINHA BAGAGEM NO MEU JA LENDARIO LUGAR E FUI PASSEAR NAS OUTRAS CARTEIRAS, PARA CUMPRIMENTAR OS COLEGAS. UM REBOLIÇO JA COSTUEIRO SE FORMA NAS IMEDIAÇOES, A HORA DO RUSH COMEÇA E AS CARTEIRAS COMEÇAM A SER RAPIDAMENTE OCUPADAS, FICO ATENTO PARA, SE NECESSÁRIO, CEDER RAPIDAMENTE A CARTEIRA QUE ESTOU PROVISORIAMENTE OCUPANDO.
MEANWHILE, UM RAPAZ SENTA AO LADO DO MEU QG, DO OUTRO LADO DA SALA...
LOGO EM SEGUIDA
TODAS AS CARTEIRAS AO REDOR DO QG SAO OCUPADAS...
E EIS QUE SURGE A DEUSA DA SALA, UM SER ABSURDAMENTE CONCORDANTE COM OS PADROES DE BELEZA DA ATUALIDADE E COM OS PADROES DE INTELIGENCIA DO SER FEMININO DE 80 ANOS ATRAS. ELA DESEJA SENTAR AO LADO DO JA MENCIONADO RAPAZ...
MINHA MOCHILA ESTA LA...
O RAPAZ ME PROCURA E PEDE PRA EU TROCAR DE LUGAR...
E FATO QUE OS DOIS SAO COMPROMETIDOS COM TERCEIROS, POIS O BRILHO DE SUAS COLOSSAIS ALIANÇAS DE PRATA NAO ME DEIXAM MENTIR.
E FATO QUE QUANDO ESTE QUE VOS FALA SOLTA A FRASE
"SE VOCE QUER SENTAR DO LADO DELA, FALE COM ELA, EU DAQUI NAO SAIO"
O RAPAZ E A MOÇA FICAM COM OS SORRISOS AMARELOS, COMO QUE TENTANDO OFUSCAR O BRILHO LETAL DO AÇO CORTANTE DA MINHA AFIRMAÇAO PERANTE A CLASSE ATENTA;
LOGO APOS, O RAPAZ E A MOÇA PASSAM A TRATAR COM DISTINTA CONSIDERAÇAO ESTE QUE VOS FALA...CAUSANDO DESENTENDIMENTO...
NA HORA DO INTERVALO, O RAPAZ NOVAMENTE ME PROCURA E PEDE QUE EU NAO FAÇA ESSE TIPO DE COMENTARIO NOVAMENTE PARA QUE NENHUM DOS CONJUGES DOS DOIS FIQUE SABENDO...
ENFIM, O QUE ME DEIXA PUTO, DEIXANDO A FORMALIDADE DE LADO, NAO E O FATO DA PUTARIA E FALTA DE LEALDADE TOMAREM CONTA DO POVO, NA REAL, O QUE ME DEIXA PUTO E O FATO DESSE POVO PARTIR DO PRINCIPIO QUE EU ME IMPORTO COM A VIDA SEXUAL ALHEIA, OU QUE EU VA ME DAR AO TRABALHO DE IR CONTAR PROS NAMORADOS E NAMORADAS AS TRAIRAGENS QUE ANDAM COMETENDO.
ISSO ME ENTRISTECE SERIAMENTE, POIS MEU OBJETIVO MAIOR AO AGIR DO JEITO QUE AJO E DEIXAR BEM CLARO QUE A VIDA ALHEIA NAO ME IMPORTA NEM UM POUCO...ENFIM.
EU ME GARANTO...
DOS 200 SO SE FORMARAO 12
EU ESTAREI ENTRE ELES
E, DE PREFERENCIA, OUVINDO EMERSON LAKE AND PALMER
DANE-SE O RESTO
ABRAÇOS!
terça-feira, 11 de maio de 2010
"A bolha europeia – e o boom grego", por Riverman
Abril de 2010. A Grécia, uma das economias mias frágeis da União Europeia, decreta uma moratória e pode praticamente arrastar o mercado econômico do continente à bancarrota, já que países como Alemanha, só a terceira maior economia do planeta, possuem papéis ativos em ações de bancos helênicos.
Resultado ainda bem vívido da recessão americana de 2008, a crise no Velho Continente parece mais grave do que parece. Além do problema alemão, países como Portugal e Irlanda, em breve, também correm risco de não conseguirem assumir com seus compromissos internacionais, já que devem mais do que arrecadam, e podem seguir a cartilha grega.
Esse é só um exemplo de como a especulação pode atingir até mercados tidos como seguros, como o europeu. Dona de uma moeda fortíssima e de linhas de crédito altamente confiáveis, a UE, no início e apesar das fortes exigências para se ingressar no grupo, parece ter sido sustentada pelas já consolidadas potências econômicas inglesa, alemã e francesa.
Até com a recente entrada de países que faziam parte da Cortina de Ferro, os europeus se mantiveram gozando de prosperidade econômica. Até 2008. A especulação, inicialmente ocorrida nos EUA, derrubou o mercado num efeito dominó – A bolha inicial se reduziu a um boom de explosão, apenas parafraseando o título do livro O Boom e a Bolha, de Robert Brenner, que explicita bem o início da crise econômica pela qual estamos ainda passando.
O neoliberalismo americano caiu de quatro à ajuda governamental, que foi fundamental para a recuperação do mercado nacional, e, aos poucos, os EUA conseguem respirar, depois de quase sufocantes dois anos. Mas a Europa, que ainda não havia sentido pesadas perdas com 2008, iniciou sua ‘crise pessoal’.
Inicialmente, apesar das perdas dos gregos – a previdência local deve sofrer alterações, e para se aposentar os locais devem ter um incremento de dois anos nas contribuições, além de possíveis aumentos na arrecadação fiscal -, a crise deve ser sufocada por lá. O que é preocupante é como as outras economias do continente, ainda frágeis, como a irlandesa, reagirão à efervescência do mercado logo em seguida.
A Europa, com isso, segue forte risco de realizar uma segunda onda de crise, em cima de 2008. Apesar das provas que o mercado já nos deu de sua autorregulação, uma segunda crise logo em seguida, que afetaria países como Inglaterra e Alemanha, pode deixar marcar indeléveis por alguns anos e provar, nesses mesmo período, que o mercado europeu pôde ser forte apenas na sua primeira década de existência. Ou seja, a Europa que se cuide.
Resultado ainda bem vívido da recessão americana de 2008, a crise no Velho Continente parece mais grave do que parece. Além do problema alemão, países como Portugal e Irlanda, em breve, também correm risco de não conseguirem assumir com seus compromissos internacionais, já que devem mais do que arrecadam, e podem seguir a cartilha grega.
Esse é só um exemplo de como a especulação pode atingir até mercados tidos como seguros, como o europeu. Dona de uma moeda fortíssima e de linhas de crédito altamente confiáveis, a UE, no início e apesar das fortes exigências para se ingressar no grupo, parece ter sido sustentada pelas já consolidadas potências econômicas inglesa, alemã e francesa.
Até com a recente entrada de países que faziam parte da Cortina de Ferro, os europeus se mantiveram gozando de prosperidade econômica. Até 2008. A especulação, inicialmente ocorrida nos EUA, derrubou o mercado num efeito dominó – A bolha inicial se reduziu a um boom de explosão, apenas parafraseando o título do livro O Boom e a Bolha, de Robert Brenner, que explicita bem o início da crise econômica pela qual estamos ainda passando.
O neoliberalismo americano caiu de quatro à ajuda governamental, que foi fundamental para a recuperação do mercado nacional, e, aos poucos, os EUA conseguem respirar, depois de quase sufocantes dois anos. Mas a Europa, que ainda não havia sentido pesadas perdas com 2008, iniciou sua ‘crise pessoal’.
Inicialmente, apesar das perdas dos gregos – a previdência local deve sofrer alterações, e para se aposentar os locais devem ter um incremento de dois anos nas contribuições, além de possíveis aumentos na arrecadação fiscal -, a crise deve ser sufocada por lá. O que é preocupante é como as outras economias do continente, ainda frágeis, como a irlandesa, reagirão à efervescência do mercado logo em seguida.
A Europa, com isso, segue forte risco de realizar uma segunda onda de crise, em cima de 2008. Apesar das provas que o mercado já nos deu de sua autorregulação, uma segunda crise logo em seguida, que afetaria países como Inglaterra e Alemanha, pode deixar marcar indeléveis por alguns anos e provar, nesses mesmo período, que o mercado europeu pôde ser forte apenas na sua primeira década de existência. Ou seja, a Europa que se cuide.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Indireta direta.
Indireta direta.
Olhe! Trema e entenda. A inércia, embora inerente a ti, não pode ser majoritária.
Tão frágil quanto lesmas em relação ao sal ou nós em relação a grandes carnívoros, o teu calar indica aceitação ao falho ou a incapacitação de expor o teu pensar... Reles pontos fracos...
De forma concreta, fingir ver com outros olhos o que por ti é condenado -inescrupulosamente se assumindo covarde ou encarecidamente invocando a divindade da tolice, que por sua vez oblitera de forma convicta qualquer tipo de sensatez existente no teu ser - apenas exige um mínimo de entorpecência e o cúmulo da apatia em ti contida.
Há algo de maior essência ao ocultar os fatos ou o termo 'vista grossa' soa positivo aos teus tímpanos? Seria tão conivente ao claro ou cego da forma mais insossa possível? Prefiro acreditar que a cegueira do dito "sentimento nobre" o afeta - tal qual a cegueira branca (não ligada ao amor) de Saramago: uma doença breve, porém, cruel. (Sentimento aliás digno de tornar os homens mais nobres em meros vermes, pincela-se rapidamente.)
Conivência indica medo... Medo de quê? Perder um algo ou alguém que é tido como importante? Grande merd*!
Nada pertence a ninguém... é tudo uma questão de percepção: muito "achismo", muito egoísmo e pouco sentimentalismo. Maaaas... sentimentalismo? Só por rimar? Digo que não... por expor o que sentimos por algo. Muitas vezes o dito sentimento é mais composto por posse que amor; Obsessão à cumplicidade... e assim vai.
Da forma com que as coisas vão, elas vêm. O soco de hoje é o golpe dado amanhã... Pense que, embora as coisas doam, elas passam... sempre passam. Já diz um filósofo urbano - cá entre nós, um dos melhores que conheço - : "Tudo acaba bem. Se não está tudo bem, é porque não acabou". É mais ou menos assim que tudo se vive... Tentando virar os jogos impossíveis de se virar e jamais aceitando o cabresto imposto por qualquer malefício
conhecido.
Espero que isso também tenha alguma ESSÊNCIA.
-------------------------------------------------------------------------------------
Comentário cretino: Me especializando em postar coisas referentes à vida de amigos e afins, hein?
=D
Enfim... Por: Leoni
Olhe! Trema e entenda. A inércia, embora inerente a ti, não pode ser majoritária.
Tão frágil quanto lesmas em relação ao sal ou nós em relação a grandes carnívoros, o teu calar indica aceitação ao falho ou a incapacitação de expor o teu pensar... Reles pontos fracos...
De forma concreta, fingir ver com outros olhos o que por ti é condenado -inescrupulosamente se assumindo covarde ou encarecidamente invocando a divindade da tolice, que por sua vez oblitera de forma convicta qualquer tipo de sensatez existente no teu ser - apenas exige um mínimo de entorpecência e o cúmulo da apatia em ti contida.
Há algo de maior essência ao ocultar os fatos ou o termo 'vista grossa' soa positivo aos teus tímpanos? Seria tão conivente ao claro ou cego da forma mais insossa possível? Prefiro acreditar que a cegueira do dito "sentimento nobre" o afeta - tal qual a cegueira branca (não ligada ao amor) de Saramago: uma doença breve, porém, cruel. (Sentimento aliás digno de tornar os homens mais nobres em meros vermes, pincela-se rapidamente.)
Conivência indica medo... Medo de quê? Perder um algo ou alguém que é tido como importante? Grande merd*!
Nada pertence a ninguém... é tudo uma questão de percepção: muito "achismo", muito egoísmo e pouco sentimentalismo. Maaaas... sentimentalismo? Só por rimar? Digo que não... por expor o que sentimos por algo. Muitas vezes o dito sentimento é mais composto por posse que amor; Obsessão à cumplicidade... e assim vai.
Da forma com que as coisas vão, elas vêm. O soco de hoje é o golpe dado amanhã... Pense que, embora as coisas doam, elas passam... sempre passam. Já diz um filósofo urbano - cá entre nós, um dos melhores que conheço - : "Tudo acaba bem. Se não está tudo bem, é porque não acabou". É mais ou menos assim que tudo se vive... Tentando virar os jogos impossíveis de se virar e jamais aceitando o cabresto imposto por qualquer malefício
conhecido.
Espero que isso também tenha alguma ESSÊNCIA.
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Comentário cretino: Me especializando em postar coisas referentes à vida de amigos e afins, hein?
=D
Enfim... Por: Leoni
quarta-feira, 21 de abril de 2010
"As guerras e os homens", por Riverman
Europa, Século XI. Mais precisamente no ano de 1095, o então papa Urbano II clama os cristãos a libertarem a Terra Santa do jugo islâmico. Depois de quase 200 anos de combates, as chamadas Cruzadas, além de atribuirem à Igreja Católica um caráter conquistador, transformaram um batalha tida como religiosa em um passatempo dos nobres.
Quando se preparavam para os combates, muitos cavaleiros encaravam a ida ao Oriente Médio como ir, hoje em dia, a um safári. Havia até preparativos: espécies de treinamentos pré-guerra eram elaborados em solo europeu para que os combatentes não enfrentassem surpresas ao lutar contra os muçulmanos. Mas tudo no maior clima de orgulho e descontração.
Essa é a maior prova de como o enfrentamento do ser humano às guerras mudou consideravelmente ao longo dos séculos. No que era, então, um orgulho aos participantes como na Idade Média das Cruzadas – mais por questões nobiliárquicas e menos por motivos de suserania, ao contrário do que nos apontam os livros de História do Ensino Básico -, passou a ser um motivo de patriotismo, apenas alguns séculos depois das guerras libertadores da Terra Santa.
Por volta dos séculos XIII e XIV temos, na Europa, a formação dos Estados. Apesar de serem basicamente monarquias e manterem características reais bem fortes, o surgimento das nações só foi possível devido a um contexto: um fator comum a indivíduos. Neste caso, a língua foi essencial. Portanto, a partir de uma unidade, estes seres humanos se consideravam iguais e, logo, lutariam pela manutenção desta mesma unidade, no caso, os países.
O patriotismo foi a base de vários movimentos ainda inspiradores nos dias atuais; a Revolução Francesa e a Independência do Brasil como exemplo os são. Esta unidade, presente muito fortemente até o século XX, ditou até o surgimento do nazismo, que previa a ascensão ariana – raça orginal dos alemães – como líderes de uma nova ordem mundial.
E, atualmente, como encaramos as guerras? Se ela já foi vista com orgulho por um nobre participante na Idade Média e por um patriota napoleônico, como a sociedade encara os conflitos hoje em dia?
Não nos esquecendo de que uma grande parcela de indivíduos ainda é patriótica, o mundo se mantém menos gostoso de guerras, quer por ideologia, quer por medo da morte. Muitos vão citar como exemplo de ideologia o caso americano no Iraque. Apesar, sim, de muitos estarem ali por uma questão de “amor à América”, uma outra parcela de soldados está ali por questões educacionais, pois o governo americano financia parte do estudo superior de quem participar por algum tempo das Forças Armadas.
Aí entra a importância da mídia. Apesar de muito direcionada, ela ainda consegue trazer pontos de reflexão aos cidadãos, algo que não acontece no totalitarismo, que forma patriotas cegos, que só observam através dos olhos de seu líder. “O por quê da guerra? Por que morrer em troca de algo que me é imposto, como a noção de pátria e nação?” são perguntas feitas a muitos indivíduos a si mesmos quando assistem a jornais ou leem revistas, apesar de poucas publicações, de fato, discutirem tais questões.
Infelizmente ainda vivemos num mundo muito acrítico. Cidadãos achando normal num país, como o Brasil, o alistamento militar obrigatório. Até quando tomaremos uma postura tão submissa? As guerras só matam pessoas, e o patriotismo só nos trás guerras. Mas, enfim, o ser humano prefere pensar assim...
Quando se preparavam para os combates, muitos cavaleiros encaravam a ida ao Oriente Médio como ir, hoje em dia, a um safári. Havia até preparativos: espécies de treinamentos pré-guerra eram elaborados em solo europeu para que os combatentes não enfrentassem surpresas ao lutar contra os muçulmanos. Mas tudo no maior clima de orgulho e descontração.
Essa é a maior prova de como o enfrentamento do ser humano às guerras mudou consideravelmente ao longo dos séculos. No que era, então, um orgulho aos participantes como na Idade Média das Cruzadas – mais por questões nobiliárquicas e menos por motivos de suserania, ao contrário do que nos apontam os livros de História do Ensino Básico -, passou a ser um motivo de patriotismo, apenas alguns séculos depois das guerras libertadores da Terra Santa.
Por volta dos séculos XIII e XIV temos, na Europa, a formação dos Estados. Apesar de serem basicamente monarquias e manterem características reais bem fortes, o surgimento das nações só foi possível devido a um contexto: um fator comum a indivíduos. Neste caso, a língua foi essencial. Portanto, a partir de uma unidade, estes seres humanos se consideravam iguais e, logo, lutariam pela manutenção desta mesma unidade, no caso, os países.
O patriotismo foi a base de vários movimentos ainda inspiradores nos dias atuais; a Revolução Francesa e a Independência do Brasil como exemplo os são. Esta unidade, presente muito fortemente até o século XX, ditou até o surgimento do nazismo, que previa a ascensão ariana – raça orginal dos alemães – como líderes de uma nova ordem mundial.
E, atualmente, como encaramos as guerras? Se ela já foi vista com orgulho por um nobre participante na Idade Média e por um patriota napoleônico, como a sociedade encara os conflitos hoje em dia?
Não nos esquecendo de que uma grande parcela de indivíduos ainda é patriótica, o mundo se mantém menos gostoso de guerras, quer por ideologia, quer por medo da morte. Muitos vão citar como exemplo de ideologia o caso americano no Iraque. Apesar, sim, de muitos estarem ali por uma questão de “amor à América”, uma outra parcela de soldados está ali por questões educacionais, pois o governo americano financia parte do estudo superior de quem participar por algum tempo das Forças Armadas.
Aí entra a importância da mídia. Apesar de muito direcionada, ela ainda consegue trazer pontos de reflexão aos cidadãos, algo que não acontece no totalitarismo, que forma patriotas cegos, que só observam através dos olhos de seu líder. “O por quê da guerra? Por que morrer em troca de algo que me é imposto, como a noção de pátria e nação?” são perguntas feitas a muitos indivíduos a si mesmos quando assistem a jornais ou leem revistas, apesar de poucas publicações, de fato, discutirem tais questões.
Infelizmente ainda vivemos num mundo muito acrítico. Cidadãos achando normal num país, como o Brasil, o alistamento militar obrigatório. Até quando tomaremos uma postura tão submissa? As guerras só matam pessoas, e o patriotismo só nos trás guerras. Mas, enfim, o ser humano prefere pensar assim...
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